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Brasil registra deflação de 0,38% em maio, menor índice desde agosto de 1998

Postado em 10 de Junho de 2020

Resultado do mês passado foi influenciado pelo preço dos combustíveis. As 16 áreas pesquisadas pelo IBGE tiveram deflação

RIO — Os preços no Brasil registraram deflação de 0,38% em maio deste ano, informou o IBGE nesta quarta-feira. No acumulado de 12 meses, o índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 1,88%, número bem abaixo do centro da meta estipulado pelo governo para este ano, que é de 4%.

Foi o segundo mês consecutivo de recuo na inflação, e o percentual de maio foi o menor desde agosto de 1998, quando o país registrou deflação de 0,51%.

O maior impacto negativo da inflação em meio veio do grupo Transportes (-1,9%), influenciado principalmente pela queda no preço dos combustíveis (-4,56%). Outros grupos que tiveram deflação em maio foram o de vestuário (-0,58%) e habitação (-0,25%).

Na habitação, a maior contribuição negativa veio da energia elétrica, que recuou 0,58%. No dia 26 de maio, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que irá manter a bandeira tarifária verde, sem cobrança adicional na conta de luz, até o fim do ano.

Na outra ponta, o maior crescimento no índice do mês veio do grupo Artigos de residência (0,58%), puxado pela alta dos artigos de TV, som e informática (4,57%).

— Esse aumento pode ter relação com o dólar, com o efeito pass-through, quando a mudança no câmbio impacta os preços na economia. E artigos eletrônicos normalmente são mais afetados porque têm muito componentes importados. Então a desvalorização do real acaba impactando o preço desses produtos também — indica Pedro Kislanov, gerente do IPCA do IBGE.

Em maio de 2020, as 16 áreas pesquisadas pelo IBGE tiveram deflação. A última vez que isso ocorreu foi em junho de 2017, quando o país registrou deflação de 0,23%.

Alimentos reduzem alta

O grupo Alimentação e Bebidas desacelerou para 0,24% em maio, após ter registrado alta de 1,79% no mês anterior. Dentro deste segmento, os preços de cenoura (-14,95%) e as frutas (-2,1%) são apontados como destaques. Assim, o segmento Alimentação no Domicílio reduziu a alta para 0,33% em maio, após avanço de 2,24% em abril.

A Alimentação Fora do Domicílio também registrou desaceleração. Passou de 0,76% em abril para 0,04% em maio.

De acordo com o FVG/Ibre, o país registraria deflação de 0,5% em maio.

No mais recente boletim Focus, o mercado financeiro também projeta que os preços no Brasil vão fechar o ano de 2020 em 1,53%.

A deflação registrada em maio vem na esteira das políticas de distanciamento social adotadas na maior parte do país. Com as pessoas dentro de casa e as compras reduzidas, mesmo com o foco nos canais virtuais, a oferta de produtos acaba sendo maior do que a procura por eles, gerando este cenário.

Em janeiro deste ano, o IBGE tinha divulgado a nova Pesquisa de Orçamento Familiares (POF), na qual o grupo de Transportes tinha se transformado no segmento de maior peso na inflação, superando Alimentação e Bebidas.

Em maio, porém, este cenário foi invertido e Alimentos voltaram a ter mais peso na inflação:

— Como os alimentos ficaram relativamentre mais caros, se tornaram mais representativos no orçamento. Os transportes, especialmente combustíveis, perderam preço — destaca Kislanov.


Fonte: O Globo