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Brasil se prepara para o possível fim da guerra comercial entre EUA e China

O Brasil está conduzindo estudos sobre como poderia ser afetado pelo fim da disputa comercial entre a China e os Estados Unidos, que poderia ajudar a maior economia da América Latina a formular uma resposta se interromper as exportações de soja, disseram autoridades agrícolas à Reuters.

O representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, disse na terça-feira que as negociações estão entrando nas últimas semanas em um possível acordo, que pode levar a China a suspender a tarifa de 25 por cento sobre a soja norte-americana.

Independentemente de uma possível resolução sino-americana, o Brasil não tem a oferta de soja este ano para igualar o aumento das exportações chinesas no ano passado, disse Eduardo Sampaio Marques, secretário de política do Ministério da Agricultura que supervisiona a análise de mercado e programas de subsídios.

“É muito difícil repetir os números do ano passado”, disse ele por telefone.

O Brasil teve uma produção recorde na safra de 2017-18 e, além disso, reduziu a grande maioria de seus estoques de soja para exportações para a China, que buscava substituir a soja dos EUA em meio à guerra comercial.

Este ano, a produção é menor e o país não tem estoque para redirecionar para as exportações, acrescentou.

A oferta brasileira mais baixa torna mais provável que a China precise comprar soja dos Estados Unidos, onde estoques recordes estão se acumulando em armazenamento.

Em julho, a China impôs uma tarifa de 25 por cento sobre as importações dos EUA, incluindo a soja, em retaliação aos impostos de Washington sobre os produtos chineses.


A mudança na oferta é refletida na agência de estatísticas agrícolas Conab, cortando sua previsão de janeiro para as exportações de soja em 5 milhões de toneladas, para 70 milhões de toneladas em março, em comparação com as exportações de 83,6 milhões de toneladas em 2018.

O Brasil está assistindo e se preparando para o possível fim da guerra comercial, de acordo com Orlando Leite Ribeiro, secretário de Comércio Agrícola.

“Estamos atentos às negociações e estamos preparando estudos para confirmar o impacto no Brasil a curto e médio prazo”, disse Ribeiro.

O governo está conversando com setores afetados, incluindo a indústria da soja, mas eles não pediram que o governo tome medidas específicas, observou ele.

Com base nos resultados dos estudos, é possível que o governo identifique uma maneira de tornar suas exportações mais competitivas, disse Ribeiro, sem elaborar o que essas ações podem envolver.

Sampaio, que supervisiona os programas de subsídios agrícolas, disse que há pouco que ele possa fazer, já que seu departamento não possui nenhum instrumento que possa oferecer apoio direcionado às exportações para países específicos.

Mas o ministério poderia ajudar a coordenar empresas do setor privado para formar uma resposta unificada, como aconteceu no passado, disse Sampaio.

O ministério consulta regularmente o embaixador chinês, tem um representante na China e a ministra da Agricultura brasileira, Tereza Cristina Dias, planeja visitar o país ainda este ano para manter uma boa relação comercial, disse ele.

 

 

 

 

 


Fonte: O Petróleo