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Brasil voltou a ser o principal destino de etanol exportado pelos americanos

O Brasil voltou a ser o principal destino das exportações de etanol dos EUA em novembro, seis meses após ficar de fora da liderança e pela primeira vez desde que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) impôs uma tarifa de 20% para os desembarques acima de uma cota.

Foram embarcados 106,78 milhões de litros de etanol americano ao Brasil no mês, alta de 117% ante outubro, de acordo com a Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), a partir de dados do Departamento de Comércio americano. O volume, basicamente de etanol anidro, foi metade dos embarques americanos desse tipo de etanol em novembro.

O produto é destinado basicamente aos portos do Nordeste, região que, apesar de estar com a safra em andamento, é deficitária em etanol. Nos últimos meses, tem ocorrido algumas remessas do produto americano também ao Centro-Sul, mas "pouco significativas", diz João Paulo Botelho, analista da FCStone.

A expectativa é que as importações dos próximos meses não repitam a avalanche de desembarques de um ano atrás. Porém, o etanol americano já está começando a chegar a preços mais competitivos do que o próprio biocombustível produzido no Centro-Sul, mesmo fora da cota estabelecida pela Camex. Em agosto, o órgão impôs uma tarifa de 20% para as importações do país que superarem 150 milhões de litros em um trimestre.

Considerando os contratos futuros de etanol, o produto americano que extrapola a cota já poderá chegar em fevereiro em Paulínia (SP) com vantagem de R$ 0,10 por litro em relação ao etanol brasileiro também posto no polo petroquímico, a R$ 2,22 o litro, de acordo com levantamento da FCStone.

A vantagem do biocombustível americano decorre do aumento da produção nos EUA, onde os preços do milho – matéria-prima do etanol no país – estão pressionados pela safra em andamento. Como a fabricação de etanol no país está superando a demanda interna, os estoques do biocombustível estão 21% maiores do que um ano atrás.

No entanto, a janela para a importação é pequena e não necessariamente poderá ser aproveitada por qualquer agente que quiser importar etanol, já que a operação também depende dos custos logísticos e do momento da realização da operação, observa Botelho.

Para o analista, essa correlação de preços frente ao biocombustível americano pode limitar uma tendência de alta do etanol brasileiro, como costuma ocorrer durante a entressafra. Porém, não deverá ser forte o suficiente para provocar uma queda das cotações, como ocorreu no primeiro trimestre do ano passado.

Na primeira semana do ano, o volume de negociações de etanol no país ainda ficou baixo, e o indicador Cepea/Esalq para o produto hidratado posto em Paulínia acumulou valorização de 2,7%, para R$ 1.904,50 o metro cúbico (mil litros).

Por Camila Souza Ramos


Fonte: Valor Econômico