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BR ‘ganha’ R$ 6,3 bi da Petrobrás para ficar mais atrativa

A Petrobrás vai injetar R$ 6,3 bilhões na BR Distribuidora, como parte de uma reestruturação societária anunciada para tornar mais atraente a abertura de capital da subsidiária. Os recursos serão usados para abater a dívida da BR e limpar seu balanço, aumentando as chances de sucesso da oferta de ações, que deve ocorrer até 1.º de dezembro. A operação envolve a transferência de créditos da distribuidora com o grupo Eletrobrás à estatal, como antecipou o ‘Estadão/Broadcast’.
 
“Tudo está engatilhado para a oferta ainda neste ano”, afirmou nesta sexta-feira, 25, ao Estadão/Broadcast o presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Nelson Carvalho. Segundo o conselheiro, advogados, auditores e bancos já foram contratados e a companhia está seguindo com todos os preparativos para sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). O desejo da Petrobrás é efetivar até 1.º de dezembro a operação, que é uma peça-chave de seu programa de desinvestimento de US$ 21 bilhões entre 2017 e 2018.
 
A reestruturação anunciada prevê que os créditos da BR – decorrentes de dívidas da Eletrobrás pela compra de combustível para a geração de energia elétrica em usinas térmicas – serão transferidos a uma nova empresa, a Downstream Participações. Depois, ela será incorporada pela Petrobrás.
 
Os R$ 6,3 bilhões do aporte de capital serão 100% destinados ao pagamento de dívidas da BR. A redução da dívida abre espaço para que a empresa seja mais bem avaliada pelos investidores, aumentando o interesse por seu IPO. Além disso, também é afastado o fantasma de um eventual calote da Eletrobrás. Ao fim de 2016, sua dívida bruta era de R$ 12,4 bilhões. O balanço da BR do ano passado mostra que o total a receber de empresas termoelétricas do Sistema Eletrobrás era de R$ 6,064 bilhões.
 
Balanço
 
Para especialistas, ao incorporar as contas a receber da Eletrobrás, a Petrobrás resolveu um entrave para a avaliação da BR na oferta. “O efeito foi limpar o balanço da BR, que agora poderá ser mais bem avaliada”, disse Nelson Carvalho.
 
“Nada mais é que uma operação preparatória para reduzir a alavancagem (o tamanho da dívida na comparação com sua geração anual de caixa) da BR, ao dar uma saída para créditos podres. Isso torna a empresa mais vendável”, diz o advogado Luiz Herique Vieira, do Bichara Advogados. O Plano de Negócios e Gestão BR para o período 2017-2021 é a redução dessa relação das 3 vezes verificadas em 2016 para 2 vezes em 2021.
 
Para o professor Eliseu Martins, um dos maiores especialistas em contabilidade do País, nada se altera no balanço consolidado da petroleira. “A Petrobrás apenas perde liquidez, ao deixar de ter dinheiro e passar a ter recebíveis”, explica.
 
A companhia informa no comunicado que a operação será realizada a valor contábil, sem gerar resultado para nenhuma das duas empresas envolvidas. “Não vai ser gerado nenhum lucro interno nas operações da mãe (Petrobrás) com a filha (BR). Às vezes uma empresa passa um ativo para outra não a valor contábil, mas a valor de mercado, o que pode gerar problemas tributários. Nesse caso, a Petrobrás não deve pagar mais nem menos que o valor pelo qual os créditos estão contabilizados”, diz Martins.

Fonte: O Estado de S.Paulo