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Bunge tem mais um trimestre de perdas

A americana Bunge, uma das maiores companhias do agronegócio mundial, surpreendeu ontem o mercado ao anunciar prejuízo líquido de US$ 12 milhões no segundo trimestre deste ano. O mau desempenho – um contraponto ao lucro de US$ 81 milhões do mesmo período de 2017 – se deveu a mudanças nos fluxos comerciais na América do Sul e na rota EUA-China e a apostas erradas no mercado futuro da soja.

Sua divisão de comercialização e distribuição de açúcar sentiu especialmente o baque, refletido no prejuízo de US$ 26 milhões. Os altos preços do etanol e custos operacionais mais baixos compensaram apenas parcialmente a cotação menor do açúcar no mercado global e a greve de caminhoneiros no Brasil, que paralisou a comercialização da commodity e dos grãos em geral.

A greve, que culminou no tabelamento dos preços de frete rodoviário, e os esperados volumes menores que serão comercializados pelos americanos afetaram também a perspectiva de originação de grãos da companhia.

No mercado de soja, onde a Bunge (ao lado de gigantes como ADM, Louis Dreyfus e Cargill) costuma travar preços no mercado futuro de soja por meio de derivativos, o movimento tampouco foi de alívio. A companhia apostou que a guerra comercial entre Washington e Pequim, que elevou a 25% o imposto pago pela soja americana, seria uma medida de curto prazo. Assim, manteve posição comprada na bolsa de Chicago, apostando na alta da commodity com a normalização da situação. Não foi o que ocorreu. Com isso, a Bunge registrou perdas de US$ 125 milhões em marcação a mercado, que deverão ser revertidas à medida que os contratos forem executados.

No trading de grãos, o prejuízo da Bunge foi de US$ 22 milhões, puxado por uma perda cambial de US$ 24 milhões no Brasil – desconsiderado esse impacto, os resultados no país foram maiores que no trimestre do ano passado, com volumes e a margens de lucro maiores. A quebra da safra na Argentina em decorrência da seca também influenciou negativamente os resultados.

Apesar dos números, a Bunge reiterou sua meta de atingir US$ 1,3 bilhão em lucro operacional em 2018, através da melhora nos negócios no segundo semestre. "Ainda que a performance total da companhia ter ficado abaixo das nossas expectativas no segundo trimestre, esperamos um forte desempenho no segundo semestre deste ano", afirmou em nota o CEO Soren Schroder, atribuindo o otimismo a margens muito atrativas no esmagamento da oleaginosa.

De qualquer forma, o prejuízo da companhia neste ano pressionará ainda mais Schroder a virar o jogo rapidamente. Há mais de um ano, a Bunge tem sido alvo de abordagens de aquisição de rivais como ADM e Glencore.

Por Bettina Barros


Fonte: Valor Econômico