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Cade veta por unanimidade compra da rede de combustíveis Ale por Ipiranga

O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou por unanimidade na quarta-feira (02),  a compra da rede de distribuição de combustíveis Alesat, quarta maior do país, pela segunda maior do setor, Ipiranga, do grupo Ultrapar, por cerca de 2,2 bilhões de reais.
 
Prevaleceu no plenário o voto do relator, conselheiro João Paulo de Resende, pela rejeição do negócio. Em seu voto, o relator explicou que a reprovação deu-se pela falta de acordo com as empresas quanto às condições a serem aplicadas para aceitar a operação que geraria problemas relevantes de concorrência para os postos independentes, conhecidos como "bandeira branca".
 
As ações da Ultrapar, que chegaram a operar em alta antes do voto de Resende mais cedo, fecharam em queda de 4,92 por cento, enquanto o Ibovespa subiu 0,93 por cento.
 
A Ipiranga estava de olho na aquisição da Alesar para complementar sua rede de distribuição no Nordeste. A Ale afirma ter cerca de 2 mil postos e 260 lojas de conveniência. Já a Ipiranga tem cerca 7.240 postos e rede de pouco mais de 1.900 lojas de conveniência.
 
O parecer inicial de Resende defendia a venda de ativos da Alesat em 12 Estados, o equivalente a 65 por cento das operações da empresa. As empresas, porém, não aceitaram essa condição e propuseram um novo acordo, de conteúdo sigiloso, que foi negado pelo plenário do Cade.
 
Em fevereiro, a superintendência-Geral do Cade já havia ponderado que a compra da Alesat poderia resultar em aumento no preço na distribuição e na revenda de combustíveis devido ao aumento de poder de mercado da Ipiranga. No mesmo mês, o Cade já tinha aprovado associação entre a Ipiranga e a norte-americana Chevron para a criação de uma nova empresa para produção e comercialização de lubrificantes.
 
Em comunicado ao mercado, a Ultrapar afirmou apenas que a reprovação da operação pelo Cade implica que o contrato para a compra da Alesat "restou automaticamente resolvido, sem qualquer penalidade de parte a parte". Na semana passada, o conselho de administração da Ultrapar havia autorizado a Ipiranga a captar 1,5 bilhão de reais em debêntures de cinco anos, a 105 por cento do CDI. Na ocasião, a Ultrapar não informou o destino dos recursos captados.
 
Já a Alesat afirmou em comunicado que "está saudável, coesa, bem posicionada e sólida" e que seguirá atuando "de forma independente, com foco no plano de expansão de sua rede embandeirada e dando continuidade aos seus demais investimentos, buscando, assim, a consolidação de sua posição nos mercados onde atua".
 
 
A Alesat é controlada em partes iguais pelo grupo mineiro Asamar e uma holding do empresário Marcelo Alecrim, também presidente da companhia.
 
A reprovação da operação ocorreu cerca de um mês depois que o Cade rejeitou a compra do grupo de educação superior Estácio pela Kroton, que criaria uma gigante do ensino superior privado no país.
 
Segundo o Cade, a compra da Alesat pela Ipiranga geraria significativo impacto na capacidade de concorrência no mercado por parte de postos regionais e de bandeira branca abastecidos atualmente pela Alesat.
 
"A operação elimina, em grande parte dos mercados analisados, a principal distribuidora capaz de abastecer postos interessados em permanecer como bandeira branca ou em ter uma alternativa negocial de embandeiramento às três grandes distribuidoras de nível nacional”, afirmou o relator se referindo à Ipiranga, Petrobras e Raízen (Reuters, 2/8/17)
 
Alesat avalia alternativas para financiar expansão após bloqueio
A Alesat, quarto maior grupo de distribuição de combustíveis do Brasil, cuja aquisição pela rival maior Ipiranga foi bloqueada pelo Cade nesta quarta-feira, está avaliando a melhor forma para acelerar sua expansão no país, incluindo trazer um sócio para ajudá-la a reduzir a distância que a separa das rivais. O presidente-executivo e acionista Marcelo Alecrim disse à Reuters nesta quarta-feira que a decisão do órgão de defesa da concorrência "foi uma surpresa" e que o posicionamento unânime do Cade contra a operação inviabiliza uma aliança da Alesat com qualquer outra das três maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil - Petrobras, Ipiranga e Raízen.
 
"Com as três maiores nem pensar, seria repetir a mesma matéria sabendo quem é o professor", disse. "A palavra vender está proibida agora na empresa. A abordagem da Ipiranga era muito boa para ambas as partes...Temos vários alvos pela frente. Com juros baixando, linhas de crédito melhorando no país e a gente em condições financeiras boas, vamos para a frente." Alecrim afirmou que anos antes da aceitação dos acionistas da Alesat à oferta de 2,17 bilhões de reais feita pela Ipiranga, do grupo Ultrapar, a companhia manteve discussões com a francesa Total e com a norte-americana Bunge.
 
A Alesat, que é controlada em partes iguais pelo grupo mineiro Asamar e por uma holding de Alecrim, havia aceitado a oferta da Ipiranga há cerca de um ano e aguardava desde então pelo posicionamento do Cade.
 
"Podemos discutir parcerias, mas não é uma prioridade agora", disse Alecrim. A Alesat tem faturamento anual 12,5 bilhões de reais e pode considerar emitir dívida no mercado local para financiar expansão, afirmou Alecrim, acrescentando que a empresa tem em caixa cerca de 300 milhões de reais.
 
Segundo o executivo, o perfil da Alesat é de aquisições e lembrou de compras das redes de postos da Repsol e Polipetro em 2008. "A empresa tem muito o que crescer. Tivemos a negativa do Cade, mas temos só 4 por cento do mercado. Somos consolidadores", acrescentou.

Fonte: Reuters (02/08)