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Camil e Raízen ajustam pacto na área de açúcar

Postado em 8 de Julho de 2019

Camil e Raízen ajustam pacto na área de açúcar
A Raízen Energia, joint-venture entre Cosan e Shell, não vai mais empacotar açúcar refinado destinado ao varejo. Transferiu essa atividade para a Camil, que é dona das marcas União e Da Barra e investiu R$ 100 milhões em uma nova fábrica em Barra Bonita, no interior de São Paulo, para receber e ensacar até 550 mil toneladas do produto ao ano.

Pelo novo acordo fechado, que não envolve venda de unidades, 100% de todo o açúcar refinado produzido pelas usinas da Raízen e destinado ao varejo será vendido à Camil nos próximos 40 anos. As empresas já tinham um acordo nessa frente, segundo o que a Raízen era responsável por ensacar 70% açúcar comercializado pela Camil com suas marcas.

"Para nós, sempre fez sentido controlar o empacotamento, como fazemos com arroz e feijão. O negócio da Raízen é moagem de cana e refino de açúcar, não vendas ao consumidor final", afirma Luciano Quartiero, presidente da Camil, que há mais de um ano já havia comentado sobre a intenção da empresa de assumir também o ensacamento do açúcar.

Os recursos para a construção da fábrica em Barra Bonita vieram do caixa da Camil, engordado após a empresa emitir R$ 1,6 bilhão em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) nos últimos 24 meses. "Essas emissões, destinadas à compra de açúcar, são mais competitivas em termos de juros que recursos tradicionais, como os provenientes do BNDES. A estratégia nos permitiu ter mais dinheiro para investimentos", diz Flávio Vargas, diretor financeiro da empresa.

No novo acordo, também está prevista a destinação, pela Raízen, de um armazém que será usado pela Camil, em comodato, durante os 40 anos de fornecimento exclusivo do produto.

A unidade de ensacamento de açúcar é a 13ª fábrica da Camil no país. Foi instalada em um terreno de 67 mil metros quadrados, bem próxima ao armazém e à usina da Raízen em Barra Bonita. Toda a estrutura inclui 43 empacotadoras automáticas e 9 mil toneladas de capacidade de armazenamento. Ao lado também há um centro de distribuição que movimenta outros produtos da Camil, como arroz, feijão, pelos quais é mais conhecida a empresa de alimentos, cuja receita líquida se aproxima de R$ 5 bilhões por ano, e pescados.

Com a nova fábrica, a Camil fechou a unidade de Sertãozinho, também no interior paulista. Mas manterá a do Rio de Janeiro, onde tem capacidade de empacotar 144 mil toneladas de açúcar por ano.

As operações da Raízen de ensacamento em Barra Bonita e em Tarumã, também em São Paulo, foram fechadas. A companhia informou que conseguiu realocar parte dos funcionários demitidos no Centro de Distribuição da Camil, após negociação com a companhia de alimentos.

Em nota, a Raízen afirmou, ainda, que "agradece a todos os funcionários desligados neste momento pelo seu tempo de trabalho e dedicação" e esclareceu que, além de garantir o recebimento das verbas previstas em lei, preparou um pacote de benefícios que inclui um banco de currículo, que será compartilhado nas duas regiões, para que todos os desligados possam ter acesso a novas oportunidades.

Segundo Quartiero, da Camil, a nova fábrica da companhia garante uma capacidade de produção 25% superior à das unidades da Raízen, que eram obsoletas. A unidade também vai empacotar outros "tipos" de açúcar, cristal, de confeiteiro, em cubos, premium, demerara, orgânico, mascavo e a linha fit. A empresa também manterá as operações com açúcar cristal em Aparecida de Goiânia (GO) e no porto de Suape (PE).

Pelo acordo, a Raízen Energia, que registrou receita líquida de quase R$ 60 bilhões em 2018, fica livre para comercializar e ensacar açúcar cristal (não refinado) e outras variedades com qualquer outra companhia.

 

 


Fonte: Valor Econômico