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Canavieiros do Nordeste reforçam pedido de ajuda, mas não dinheiro novo

Postado em 8 de Abril de 2020

Se a Raízen está preocupada com os efeitos da pandemia sobre seus resultados e até adiou a divulgação de projeções, que dirá então milhares de produtores. Sem verticalização de produção, dependendo apenas da cana entregue aos grupos industriais, eles reforçam pedido de ajuda ao governo. E não querem dinheiro novo.

Agora é União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida), que endossa solicitação da Feplana, que agrega os produtores nacionais, sobre prorrogação da dívida, venda direta de etanol e reparte dos ganhos do RenovaBio, como trouxe Money Times (27/3).

Para os produtores, isso mitigaria a queda acentuada dos preços do açúcar e do etanol (pelo recuo do petróleo), que junto com a qualidade da cana precificam o valor da matéria-prima.

Não entra no documento entregue aos ministros da Economia, Agricultura e Minas e Energia pedido de abertura de linha de crédito ou qualquer outro modelo de socorro financeiro.

Para José Inácio de Morais, presidente da Unida, os empréstimos para custeio e investimentos dos canaviais, vincendos ao final de 2020, deveriam se jogados para 2022, bem como a brechas legais para repactuação de dívidas.

“Sem que isso mude as aquisições de créditos rotineiros para o financiamento da safra atual”, explica Morais.

A venda direta de etanol, pleito antigo do setor em especial do Nordeste, implicaria em menor preço do etanol na bomba, já que o etanol das usinas aderentes não carregaria custo das distribuidoras. A ANP já deu parecer favorável, bastando apenas o governo fazer as adequações tributárias, sem perda de arrecadação, como já frisou várias vezes o presidente da Feplana, Alexandre Lima.

Quanto ao RenovaBio, a Unida e a Feplana defendem que parte dos recursos dos CBios (Crédito de Descarbonização), vendidos pelas usinas em volume alinhado a cada lote de etanol comercializado, cheguem aos fornecedores de cana.


Fonte: Money Times