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Castlelake, dos EUA, avalia usina da Renuka

A gestora americana Castlelake está em processo de due diligence para adquirir da Renuka do Brasil, que está em recuperação judicial, a Usina Revati, localizada em Brejo Alegre (SP), segundo três fontes ouvidas pelo Valor.

O processo começou há dois meses, conforme antecipou o Valor PRO serviço em tempo real do Valor, na sexta-feira, e deve durar mais um mês. Inicialmente, o interesse é apenas por essa unidade, mas uma das fontes disse que a gestora pode avaliar a aquisição da segunda usina da empresa, a Madhu, em Promissão (SP).

A gestora está conversando com alguns credores e chegou a fazer uma proposta de pagamento de dívidas para os fornecedores de cana que têm créditos a receber da Renuka do Brasil. Segundo uma fonte, foi proposto um corte de 81% no valor devido e parcelamento do restante por 11 anos. A oferta, porém, foi rechaçada pelos produtores, que a consideraram "indecorosa", segundo essa fonte.

As negociações devem continuar, já que a Castlelake tem interesse em conversar com os produtores para garantir que sigam fornecendo cana após eventual aquisição.

A eventual venda da Revati não significa que a unidade voltará a operar imediatamente, já que o canavial da região se deteriorou após anos sem investimentos. Estima-se que seriam necessários três anos para recompor as lavouras da região para garantir um volume mínimo de cana para a operação.

Para a concretizar a compra, a Castlelake terá que esperar a liberação judicial do leilão da unidade, suspenso por liminar. E, no caso de um leilão, pode ter de concorrer com outros interessados.

Caso a venda demore, a Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, cogita uma saída de curto prazo. A possibilidade seria arrendar a usina à Castlelake até o leilão, diz outra fonte. Essa seria uma forma de garantir a entrada imediata de recursos no caixa.

A Renuka ainda não decidiu qual das duas usinas vai operar na próxima safra, que começa em pouco mais de um mês. A perspectiva é que só a Madhu entre em operação, já que não há cana suficiente para ambas. Segundo outra fonte, se o arrendamento for acertado, é possível que a Revati opere e a Madhu, não.

Com o prolongamento do processo de recuperação judical, fornecedores que tinham contratos com a Renuka romperam os acordos na Justiça e devem fornecer cana a outras usinas. Há apenas 5 milhões de toneladas de cana nas lavouras para processamento pelas duas unidades na próxima safra, metade da capacidade combinada de ambas.

Procurada, a Castlelake não respondeu até o fechamento desta edição. A Renuka do Brasil não se pronunciou.


Fonte: Valor Econômico