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Cemig oferece R$ 11 bilhões para evitar leilão

O governo federal aceitou a proposta da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) de arcar com os R$ 11 bilhões para manter as concessões das usinas hidrelétricas de São Simão, Jaguara, Miranda e Volta Grande. A condição, no entanto, é que a estatal apresente garantias reais de honrar o compromisso financeiro antes da data prevista para o leilão, marcado para 27 de setembro, e que realize o pagamento até 10 de novembro.

A informação foi confirmada pelo presidente da companhia, Bernardo Alvarenga, durante ato realizado nesta sexta-feira em defesa da manutenção da concessão dos ativos da Cemig na usina de Miranda, localizada em Indianópolis, no Triângulo Mineiro.

“A questão agora é achar uma solução para essas garantias. Estamos negociando com os bancos e possíveis parceiros, porque sozinha a Cemig não tem condições de arcar com estes R$ 11 bilhões”, admitiu.

Ainda conforme o presidente, embora a União tenha aceitado a proposta em cima da hora, a empresa possui tempo hábil para conseguir as garantias. Além disso, a alavancagem da estatal no segundo trimestre foi de 3,98 vezes a dívida líquida/Ebitda, abaixo, portanto, das 4,21 vezes apuradas no fim de março.

“Temos que encontrar uma forma. Estamos construindo possibilidades. Já conversamos com o Ministério do Planejamento, de Minas e Energia, Fazenda e AGU para acharmos a solução. Mas, enquanto isso, o leilão não está cancelado”, ponderou.

Na avaliação de Alvarenga, Minas e a Cemig estão sendo vítimas de uma ameaça sem precedentes a partir do uso da riqueza hídrica do Estado para ajustar as contas do governo federal. Para o executivo, isso serve, inclusive, de alerta para o que pode acontecer em todo o País.

“Fizeram articulações e utilizaram justificativas para interpretar a lei e os contratos firmados como bem entendem. Tudo isso para tirar da Cemig suas maiores usinas e fazerem uso dos recursos de maneira indevida. A falta de uma negociação amistosa implica em insegurança jurídica. Como investir num país em que a qualquer momento o contrato pode ser suspenso?”, questionou.

Estratégia - A Cemig esperava fechar um acordo com a União antes do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), agendado para a próxima terça-feira (22), e colocar um ponto final no imbróglio que já se arrasta por cinco anos. Para isso, a empresa vem realizando uma série de ações visando convencer o governo federal a renovar suas concessões. Dessa vez, a estratégia foi reunir lideranças políticas e empresariais, bem como movimentos sindicais e sociais em uma manifestação na usina de Miranda.

Presente no evento, o governador Fernando Pimentel garantiu que o governo do Estado vai auxiliar a companhia na busca pelas garantias para honrar o compromisso. Ele reiterou que se as usinas realmente forem a leilão, não somente a companhia, Minas Gerais e os mineiros perderão, mas todo o Brasil.

“Estão querendo vender o País, negociando usinas, aeroportos e outros ativos. Mas vamos começar a resiliência por Minas Gerais e defender a Cemig. Não vamos entregar nossas usinas a estrangeiro nenhum. Estamos dispostos a negociar de um lado e resistir de outro”, garantiu.

Representando os empresários mineiros, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado Junior, argumentou que Minas Gerais não precisa de mais um problema. Segundo ele, já bastam as questões envolvendo empresas como a Usiminas, Samarco e Gerdau. “Não podemos perder as usinas. Juntos, vamos lutar para que a Cemig mantenha seus ativos. Isso é defender Minas Gerais”, ressaltou.


Fonte: Diário do Comércio