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Cenário do setor sucroenergético levantado pelo Itaú BBA

Postado em 9 de Abril de 2020

O ponto de atenção para as próximas semanas está relacionado à duração da paralisação e quais serão as consequências no consumo do ciclo Otto

As cotações do petróleo foram fortemente afetadas no mês de março pela falta de acordo entre a Rússia e os países da OPEP, o que desencadeou uma guerra de preços da commodity. Na última semana, a notícia de um possível acordo circulounovamentenomercadoedeualgumasustentaçãoaovalordoproduto.

Mesmo assim, a perda acumulada em março foi de 37%, o que criou um efeito cascata nas cotações das commodities energéticas, incluindo o etanol. O hidratadoemPaulíniateveretraçãode20,4%nomesmoperíodo.

 Além do efeito da oferta de energia barata, a cotação do etanol também foi impactada pela baixa demanda por combustíveis de ciclo Otto diante das medidas de contenção do COVID-19. O Sindicom estima uma redução do consumo de combustíveis entre 30-40% durante o período que houver paralisação. 

Essa redução do consumo traz grandes desafios para os distribuidores e para as usinas. De fato, as principais distribuidoras anunciaram que poderá haver uma queda das compras de etanol sob a justificativa de demanda retraída e de que a tancagem pode estar próxima da capacidade. Isso coincide com o período de início de safra em que as usinas, geralmente, maximizam a produção de etanol.

 As cotações do açúcar perderam força no mês diante da aversão ao risco e da quedaexpressivadoetanolnoBrasil.Omercadojáestimaumaofertamaiorde açúcar brasileiro já que o etanol perdeu atratividade dado os baixos preços do etanol atrelado à expectativa de menor demanda.

No tocante ao etanol, as perspectivas seguem desafiadoras diante da redução da demanda face à desaceleração da economia - que se agrava ainda mais no período de isolamento social – e também pelos baixos preços do petróleo. Por mais que um acordo entre Rússia e a Opep ocorra, o espaço para grandes altas dos preços da commodity é limitado pelo cenário de recessão global.

 Em relação ao açúcar, apesar do ambiente também ser desafiador, é válido destacar o aumento da atratividade do branco. A Índia, grande exportadora de açúcar refinado, aplicou o lockdown em todo o país e essa paralisação pode ter consequências negativas nas entregas a serem embarcadas, visto que já há falta de mão de obra nos portos para os carregamentos. Essa percepção de balanço apertado do açúcar refinado tem elevado o prêmio do branco acima de 120USD/ton, tornando atrativo o refino do adoçante.

 Quanto ao VHP, seus preços devem seguir sem grandes espaços para altas significativas na ICE diante do abastecimento confortável no curto prazo e da perspectiva de um mix mais açucareiro no Brasil.

O ponto de atenção para as próximas semanas está relacionado à duração da paralisação e quais serão as consequências no consumo do ciclo Otto, bem como, os impactos gerados no fluxo de caixa das usinas no começo da safra. Atenção também deve ser dada logística do setor, visto que a produção açucareira deverá ser maior e poderá haver competição o com os grãos no escoamento até os portos. Isso pode impactar a velocidade de embarque se, consequentemente, prejudicar o fluxo de caixa das empresas.


Fonte: Itaú-BBA