Clipping

Chuvas decepcionam no começo do ano, mas abastecimento não corre risco

O fornecimento de energia no Brasil este ano não corre risco, segundo os órgãos de planejamento energético do governo, mas a recuperação dos níveis dos reservatórios das hidrelétricas não se deu conforme o esperado ao longo do período chuvoso do ano, principalmente no Nordeste.

Os lagos das usinas do Nordeste fecharão o período chuvoso com estoque superior em relação a 2017, mas ainda em situação crítica, disse Alexandre Nascimento, meteorologista da Climatempo. Apesar da melhora nas chuvas, os reservatórios da região estão com cerca de 33% da capacidade instalada, ante 21% em março de 2017.

Segundo Carlos Caminada, diretor de inteligência e risco da comercializadora Ecom Energia, no Sudeste/Centro-Oeste, as chuvas foram em torno de 20% inferiores ao esperado, com o agravante de não ter chovido nas cabeceiras dos rios. "Vai ser difícil manter os reservatórios agora, porque as vazões vão começar a cair", disse, lembrando que o modelo de preços está muito volátil.

A expectativa do meteorologista da Climatempo é de que os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste fechem o período úmido, ao fim de março, com nível de armazenamento médio de 45%, pouco acima do observado em igual período do ano passado.

"O país deve terminar o período chuvoso com os reservatórios com 45% da capacidade, isso não é bom, vai perpetuar o problema", disse João Carlos Mello, presidente da Thymos Energia.

O problema se agrava porque, mesmo se as chuvas do período seco do ano – maio a novembro – ficarem na média esperada, podem não haver volume suficiente para os reservatórios chegarem ao fim do ano em posição confortável.

Uma solução para favorecer a recomposição dos estoques das usinas seria o aumento do despacho das termelétricas, disse Mello. "O modelo que calcula preços tem como foco economizar e poupar as termelétricas, mas não leva em consideração o patamar atual dos reservatórios", disse.

Não há, porém, relação do cenário hídrico com o apagão registrado tarde de quarta-feira e que afetou quase um quarto dos consumidores do país, principalmente nos estados do Norte e Nordeste. Em evento na semana passada no Rio de Janeiro, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Luiz Eduardo Barata, disse que a maior geração das termelétricas não teria evitado o problema. "Ali, no caso, não adiantaria [maior geração termelétrica]. Ali, não poderia desconectar aquele disjuntor", disse Barata, mencionando a falha do disjuntor ocorrida na subestação Xingu, no Pará.

Barata disse que a tendência é que as termelétricas sejam acionadas apenas quando houver sinal econômico que indique esta necessidade. "Vamos manter ao longo deste ano essa política de operação", acionando as térmicas "apenas como o modelo [computacional] estabelece", disse Barata, em evento sobre energia, no Rio.

O diretor acrescentou que o nível dos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o principal do país, deve chegar ao fim do período seco, em novembro, em 36,7%. "Esperamos chegar ao fim do período seco em condições bem melhores do que no [em igual período do] ano passado", afirmou Barata.

Por Rodrigo Polito, Cláudia Schüffner e Camila Maia


Fonte: Valor Econômico