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Cidadania plena também no campo - Por Gustavo Diniz Junqueira

Mesmo em São Paulo, o Estado mais rico da Federação, há pelo menos 350 mil propriedades rurais sem endereço e 200 mil quilômetros de estradas rurais não mapeados. Consequentemente, fica bastante limitado o acesso da população rural a uma infraestrutura básica de eletricidade, conectividade e saneamento - entre outros serviços essenciais, como disponibilidade de viaturas policiais e ambulâncias.

Com 96% da população paulista nas cidades, os olhares dos governantes e da própria sociedade costumam ir até o fim do asfalto. Apesar disso, é imperioso lembrarmos que os 4%, que muitas vezes não têm acesso às mesmas políticas públicas que chegam aos outros 96%, são os responsáveis pela produção de alimentos e boa parte do desenvolvimento socioeconômico nas cidades do interior.

Depois de seis meses de gestão, essa é a nossa leitura: a área rural precisa ser notada e conhecida pela sociedade. Existe em São Paulo uma realidade que clama por transformação e modernização. Precisamos parar de atuar como simples executores de projetos, tapando buracos e reagindo aos problemas. É chegada a hora de fazer diferente.

Esta foi a visão do governador João Doria e da Secretaria de Agricultura ao criar, no início deste mês, o Programa Cidadania no Campo 2030, uma iniciativa para promover o desenvolvimento do Estado por meio do agronegócio. Trata-se da consolidação de um planejamento estratégico que garante a todo o território rural paulista uma visão macro e duradoura para levar os serviços e as estruturas das cidades para toda a área rural, sem a interferência de modismos e posicionamentos políticos.

A partir de agora, para que mais ações e projetos estejam voltados para o meio rural e para que exista convergência entre os diversos órgãos estaduais, passa a existir uma estrutura para alinhamento dos órgãos do Estado, através de um Comitê Gestor, liderado pela Secretaria de Agricultura. A intenção é criar instrumentos para viabilizar a implementação e a execução do plano de governo para o campo, contemplando segurança, mobilidade, conectividade, preservação ambiental, saneamento, entre outras diretrizes. Para isso, é essencial também a integração com o setor privado, construindo parcerias para fazer de São Paulo um exemplo para o Brasil.

Um exemplo de ação prática é o ?Rotas Rurais?, que mapeará, por meio de um software, as estradas rurais que não aparecem em sistemas de navegação online. É a viabilização de acesso a serviços públicos básicos e fundamentais, como segurança.

Em 1891, quando foi criada, a Secretaria de Agricultura, Comércio e Obras Públicas tinha como função implementar uma política desenvolvimentista no Estado de forma ampla, incluindo serviços, obras e saneamento. No decorrer dos anos houve várias cisões e muito se perdeu de uma visão holística do campo. Portanto, o Programa Cidadania no Campo 2030 é, antes de tudo, um resgate da origem da secretaria.

O projeto reflete a importância de uma gestão eficiente e pragmática. Pela primeira vez, as ações, os projetos e os recursos para desenvolvimento do ambiente rural estarão alinhados e formalizados em uma única estratégia de governo, impactando todo o ecossistema agro e, principalmente, a vida das pessoas envolvidas. O programa servirá de parâmetro para todas as ações e projetos ? tanto os já existentes, que deverão ser revistos e adequados ao programa, quanto os novos, de forma a gerar empregos, melhorar a vida da população do campo e garantir uma cidadania plena.

São Paulo tem competência para abrigar um dos principais e mais competitivos ecossistemas agro do mundo. Foi preciso pensar diferente e inovar, de forma a transcender a política para vislumbrar a possibilidade de geração de um valor histórico, uma revolução. É um choque de gestão proposto pelo governador João Doria. Transformamos a necessidade de igualar a vida dos cidadãos do campo aos da cidade em uma decisão de governo focada na solução de problemas. A cidadania no campo, enfim, vira uma realidade.

 

*Gustavo Diniz Junqueira é Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

 


Fonte: O Estado de S. Paulo