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Cigarrinha-das-raízes pode reduzir até 70% da produtividade dos canaviais. Nível de dano depende da população, variedade e época de colheita

Postado em 11 de Novembro de 2020

Trabalho conduzido pelo IAC em condições controladas buscou descobrir quais variedades são mais suscetíveis as infestações de cigarrinha

Dos mais de 9,7 milhões de hectares de canaviais cultivados no Brasil, apenas 4,7 mi/ha são manejados com algum método de controle contra a cigarrinha-das-raízes. É o que aponta um levantamento conduzido pela Spark, de 2019. Para especialistas, este valor estaria aquém do ideal, uma vez que a praga pode ser encontrada em praticamente todas as regiões produtoras de cana no Brasil e acarretar perdas de até 60% na produtividade dos canaviais.

Desde a consolidação da colheita mecanizada de cana crua, a cigarrinha é considerada uma das principais pragas que atacam a cultura da cana-de-açúcar. Ocorre que, com o fim da queima pré-colheita, um colchão de palha passou a permanecer sobre os canaviais, elevando a umidade do solo e, consequentemente, favorecendo o crescimento populacional do inseto.

Com um ciclo biológico total de 60 a 80 dias, a cigarrinha pode ter de três a quatro gerações por ano. As ninfas dessa praga produzem uma espuma na base dos colmos e nas raízes superficiais. Nesse momento, elas extraem grandes quantidades de água e nutrientes das raízes, impactando negativamente no desenvolvimento da cana, que crescerá com colmos menores, mais finos e com entrenós mais curtos. Quando adultas, as mariposas irão reduzir a fotossíntese dos açúcares da planta, causando redução do teor de sacarose e aumento do teor de fibras e de colmos mortos.

A pesquisadora do Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Leila Luci Dinardo-Miranda, relata que a gravidade dos danos dependerá de três fatores principais: população (em que o dano será proporcional a intensidade das infestações); variedade e idade/tamanho da planta ao sofrer o ataque.

Um trabalho conduzido pelo IAC em condições controladas buscou descobrir quais variedades são mais suscetíveis as infestações de cigarrinha. “Alguns materiais, como a RB966928, SP83-5073, IACSP94-2094 e CTC 9004, se mostraram mais resistentes, com quebras de produtividade variando entre 9% e 20%.” Embora altos, a pesquisadora do instituto revela que esses valores são significativamente melhores do que os registrados pelos materiais RB855453, RB867515, RB855536, CV6654 e RB935744, que chegam a perder de 51% a 70% de suas produções.

O terceiro fator – idade/tamanho da planta ao sofrer o ataque – também interfere na intensidade dos danos. De acordo com Leila, a quebra de produtividade em um canavial colhido no final de safra (outubro e novembro) será menor do que naqueles constituídos pelas mesmas variedades, porém, colhidos no início do ciclo (abril e maio). “Isso acontece porque a cigarrinha começa a aparecer geralmente a partir de novembro, quando os canaviais de final de safra acabaram de ser cortados. Menores, eles irão sofrer mais. Por outro lado, as áreas colhidas em abril ou maio já estarão mais desenvolvidas na ocasião do ataque e, por consequência, irão tolerar um pouco mais as infestações.”

Com base nesses dados, a pesquisadora do IAC criou uma matriz de manejo e amostragem. Formado por nove caselas (com níveis de 1 a 5), a matriz tem como objetivo nortear os trabalhos das equipes de pragas das agrícolas e unidades agroindustriais. Leila explica que, quando começa o período chuvoso, as usinas devem começar a amostrar e controlar os canaviais da casela 1, que consistem em áreas colhidas no final da safra e formadas com variedades mais suscetíveis. “E assim por diante até chegar a vez das caselas 4 e 5, que tem menor necessidade de uma amostragem rigorosa e um controle tão urgente.”

Matriz para manejo de cigarrinha

Fonte: Leila Luci Dinardo-Miranda

Com relação às amostragens, a pesquisadora recomenda que elas tenham início 20 dias após a chegada das chuvas, pois será nessa época que as primeiras ninfas começarão a surgir no campo. A forma ideal é de seis pontos (de 1 a 2 metros) por hectare. “Na questão do controle, recomendo sempre que possível a utilização de biológicos, principalmente nas áreas das caselas 4 e 5, que são compostas por canaviais maiores, amplamente sombreados e mais propícios ao estabelecimento do fungo. Nesses locais, com meia ninfa por metro, já é possível entrar com o manejo biológico. Caso o desempenho não esteja sendo adequado, é recomendado então a aplicação de inseticidas.”

Já para os canaviais das caselas 1,2 e 3 que estiverem registrando populações próximas ou superiores ao nível de controle, a recomendação é entrar com os inseticidas, de preferência com aplicações bem feitas (jato dirigido 70x30 ou drench) e no momento certo. “Não recomendo aplicar em área total ou usar subdose ou superdose. Deve haver cuidado ao misturar produtos no tanque e evitar aplicar onde não é preciso. Além disso, é imprescindível retornar à área para verificar a necessidade de nova aplicação. Já nos locais com muitos problemas de controle, pode-se afastar ou recolher a palha da linha da cana, deixando-a mais exposta a incidência do sol.”

A pesquisadora do IAC reforçou, ainda, a importância da rotação de ativos para não haver problemas de resistência. “Ao usarmos constantemente o mesmo produto e o mesmo modo de ação, acabamos por selecionar os indivíduos resistentes àquele inseticida, que se multiplicarão entre si, aumentando a frequência dentro de uma mesma população.”

Com molécula inédita no Brasil, inseticidas Maxsan e Dinno se destacam por sua alta sistemicidade, entregando maiores taxas de controle e melhor qualidade de matéria-prima

Visando evitar o crescente risco de resistência e manter a alta produtividade das áreas, os produtores e usinas devem sempre optar por rotacionar moléculas no manejo da cigarrinha-das-raízes. No entanto, o mercado nacional conta com poucas opções de químicos para um manejo correto.

Constantemente acompanhando as necessidades de cada cultivo, a IHARA apresentou, durante o 16 Insectshow – Seminário Sobre Controle de Pragas da Cana, dois novos inseticidas da família Dino (Dinotefuran): Maxsan e Dinno, que chegam ao mercado sucroenergético brasileiro com moléculas inéditas e exclusivas.

Maxsan e Dinno são os novos inseticidas da IHARA para o manejo de cigarrinha-das-raízes

Fonte: IHARA

“O Maxsan é o único inseticida que controla a cigarrinha em todas as suas fases (ovos, ninfas e adultos). Ele ainda detém o maior efeito de choque e residual do mercado. Já o Dinno atua somente no controle das ninfas e dos adultos, mas também apresenta um excelente controle frente seus competidores e com um grande período residual”, afirmou o consultor de Desenvolvimento de Mercado da IHARA, Thiago Duarte, durante o evento realizado pelo Grupo IDEA.

Uma característica inerente a ambos os produtos é a sistemicidade. Desse modo, tanto o Maxsan quanto o Dinno possuem a capacidade de translocação pela cana-de-açúcar - agindo da base para as folhas ou das folhas para a base -, protendendo toda a planta contra os ataques da cigarrinha, seja das ninfas ao sistema radicular ou dos adultos à parte área.

Atividade sistêmica do Maxsan e Dinno em adultos

Fonte: IHARA

“Conduzimos um trabalho de campo em que aplicamos os inseticidas na base da planta simulando drench e depois enjaulamos os adultos nas folhas. 24 horas após a aplicação, notamos um nível de mortalidade acima de 90%. Lembrando que essa eficiência se deu mesmo sem que houvesse contato direto do adulto com o produto, pois, devido a sistemicidade, o ativo foi translocado pela planta, de baixo para cima. O adulto, no momento em que picou a folha, entrou em contato com a molécula e foi controlado.”

Segundo Duarte, o contrário também ocorreu. “Em outro trabalho, aplicamos na base da cana e colocamos a cigarrinha em contato com a raiz. O produto desceu pelo sistema radicular e o inseto, que já estava lá embaixo causando danos, entrou em contato com o ativo, sendo controlado em 48 horas.”

Atividade sistêmica do Maxsan em ninfas

Fonte: IHARA

Por fim, o consultor de Desenvolvimento de Mercado da IHARA relatou que o Maxsan e o Dinno, além de aumentarem a produtividade das áreas, chegam a entregar uma média de 400 quilos de açúcar a mais por hectare. “Diversos experimentos de campo mostram que as áreas tratadas com os inseticidas da família Dino proporcionaram uma cana-de-açúcar com TCH (Toneladas de Cana por Hectare) semelhante ao entregue por outros tratamentos, mas com maior Pol, menor coloração e turbidez do caldo e menores quantidades de compostos fenólicos e de amido.”

De acordo com o profissional, esse fato também ocorre em função da alta sistemicidade dos produtos. “Uma vez que a cigarrinha pica a folha ou a raiz, ela imediatamente entra em contato com a molécula. Dessa forma, não há tempo hábil para causar danos, o que refletirá em menor quantidade de fenóis dentro da planta e em maior sacarose, provando que os inseticidas da família Dino entregam, não somente resultados de controle, mas também maior qualidade de matéria-prima.”


Fonte: CanaOnline