Clipping

Clealco busca novos investidores

Sete meses após reestruturar uma dívida de R$ 1 bilhão com bancos credores, o grupo sucroalcooleiro Clealco, dono de três usinas em São Paulo, está procurando investidores que possam injetar capital na companhia, seja por meio de uma participação minoritária, majoritária ou mesmo da venda total das usinas, afirmou o CEO da companhia, Alberto Pedrosa, ao Valor.

O executivo disse que não há um "prazo" para realizar uma transação e que a busca por um investidor ocorre de forma "serena". Mas admitiu que, diante do atual cenário de baixos preços do açúcar, a companhia "está se preparando para continuar sua operação" e que só uma capitalização permitirá "retomar o ritmo de expansão e de investimentos industriais". Para a safra 2018/19, a Clealco planeja moer 7,5 milhões de toneladas de cana, ante 8 milhões de toneladas no ciclo 2017/18.

Após a renegociação das dívidas com os bancos no ano passado, os sócios da Clealco decidiram não colocar mais recursos na companhia. A busca por investidores está sendo realizada pelos bancos Santander e Itaú BBA.

Segundo uma fonte, a venda das usinas de Clementina e Queiroz pode levantar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões, dada a capacidade de moagem de cada uma, de 3,5 milhões de toneladas de cana por safra e 4,5 milhões de toneladas de cana, respectivamente. Pedrosa afirmou, porém, que não há um valor mínimo que a empresa pretende levantar com uma capitalização.

Ele disse que a usina de Penápolis, cujas atividades foram suspensas em meados de 2017, atraiu "vários interessados", mas não deu detalhes. A unidade tem capacidade de moer até 2 milhões de toneladas de cana e não deve operar na safra 2018/19 por causa da falta de cana na região.

Em algumas semanas, a companhia receberá um adiantamento de US$ 30 milhões de tradings de açúcar. O recurso deverá garantir o capital de giro da companhia e entrará como Pré-Pagamento de Exportação (PPE). Segundo Pedrosa, é comum a Clealco receber recursos adiantados neste momento da safra.

A empresa também está sendo cobrada na Justiça por vários fornecedores. Parte reclama de pagamentos não realizados e alguns pedem a rescisão do contrato de fornecimento. Apenas no Foro de Birigui, as ações por cobrança de valores em atraso desde o fim de 2017, apresentada por fornecedores, estão por volta de R$ 20 milhões. Segundo Pedrosa, menos de 2% do volume de cana a ser moído na nova safra refere-se a "acordos comerciais em discussão". Ele acrescentou que a empresa procura fornecedores para comprar cana para ser moída na nova temporada.


Fonte: Valor Econômico