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CNA projeta dólar a R$ 3,95 em 2020; confira as perspectivas para a economia

Postado em 16 de Dezembro de 2019

Segundo o sentimento da entidade, a agenda econômica do govern deverá proporcionar uma melhoria no ambiente econômico do Brasil nos próximos anos

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou sua perspectiva para a economia brasileira em 2020. Segundo o sentimento da entidade, a agenda econômica do governo federal, aliada a um ambiente reformista no Congresso, deverá proporcionar uma melhoria no ambiente econômico do Brasil nos próximos anos.

Entre as projeções da CNA, está o dólar cotado a R$ 3,95 no próximo ano e uma inflação a 3,95%. Confira a análise:

O Plano mais Brasil, apresentado no final do ano, tem como objetivo a melhora do cenário fiscal que o Governo Federal e os estados enfrentam, sendo esse o principal limitador do crescimento econômico.

Outros fatores que deverão impulsionar os indicadores macroeconômicos, contribuindo para a melhoria nos indicadores de confiança e para o crescimento da economia, são:

Flexibilização da política monetária pelo Banco Central – O Comitê de Política Monetária (Copom) tem feito reduções da taxa básica da economia. Essa taxa, em patamares historicamente baixos, deverá continuar em 2020, dada a elevada ociosidade da economia e a alta taxa de desemprego. Dessa forma,a Selic deverá permanecer, durante todo ano de 2020, em 4,5%. Com a inflação de 3,5% prevista para o próximo ano, o juro real está muito próximo a zero, fato inédito no país, mas com spread bancário ainda muito elevado.

Diante desse fato, as empresas deverão buscar fontes alternativas de financiamento nos próximos anos, como emissão de debêntures e ações em bolsa. Já para as pessoas físicas, o aumento de participação no mercado de crédito de algumas fintechs deverá forçar uma queda no spread bancário tradicional no longo prazo.

Liberação de recursos do FGTS – Com a medida, o índice de confiança do comércio atingiu, em outubro, o maior patamar para o mês desde outubro de 2013. Espera-se um movimento do comércio mais aquecido no final deste ano, propiciando uma melhoria no ambiente econômico no início de 2020.

Nota de crédito – A aprovação da Reforma Previdenciária e a discussão de outras importantes reformas econômicas estão se refletindo, de maneira positiva, sobre o risco-país. A queda no risco já está sendo precificada na valorização dos ativos financeiros brasileiros, o que permite que as agências de riscos reavaliem para melhor a nota de crédito soberano nos próximos períodos, melhorando o fluxo de capitais ao país.

O ambiente econômico interno mais favorável deverá promover uma valorização do nosso câmbio no início do próximo ano, por meio da melhoria dos indicadores macroeconômicos tratados acima. As estimativas da CNA apontam que o real encerre o próximo ano valendo R$ 3,95 . Essa melhoria no ambiente econômico deverá promover um crescimento no produto interno bruto (PIB) na ordem de 2,5%.

Mesmo com um cenário interno mais próspero, não se pode deixar de mencionar que o cenário econômico internacional está mais adverso que o normal, o que deverá gerar pressões no câmbio dos principais players internacionais.

Algumas tensões geopolíticas e reflexos da guerra comercial ainda serão obstáculos a um crescimento econômico mais robusto em todo o mundo.

Grande incógnita vem de nosso país vizinho, a Argentina. Importante parceiro comercial que atravessa uma crise econômica severa e que deverá passar por uma mudança na política econômica.

Fator que chama atenção para os custos de produção agropecuária, no próximo ano, é a discussão em torno da prorrogação do Convênio do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) nº 100/1997. O convênio reduz a tributação incidente sobre insumos agropecuários e o prazo para encerramento do benefício é 30 de abril de 2020.

A CNA afirma que está buscando a manutenção do convênio para garantir aos produtores rurais um custo competitivo, entretanto, diante do cenário fiscal que alguns estados atravessam, as discussões para a prorrogação estão claramente mais adversas do que aquelas que têm sido enfrentadas nos últimos anos.

Caso o convênio não seja prorrogado, o aumento do custo tributário deverá ser repassado aos produtores rurais, prejudicando a margem de lucro da próxima safra.

Valor Bruto da Produção

O valor bruto da produção (VBP) da agropecuária deverá apresentar ótimos resultados em 2020. Estima-se um crescimento de 9,8%, atingindo o valor de R$ 669,7 bilhões. Destaque para a pecuária, que deverá crescer 14,1%, e a previsão para a agricultura é crescimento de 7,2% – em valores, R$ 265,8 bilhões e R$ 403,9, respectivamente.

Quase todas as proteínas animais deverão apresentar crescimento na produção, exceção da produção de ovos que deverá permanecer inalterada. Entre os produtos de destaques, citamos o crescimento do VBP da pecuária bovina, que deverá crescer 22,2%, atingindo um faturamento de R$ 129,1 bilhões no próximo ano. Seguido da pecuária de leite, R$ 58,2 bilhões e crescimento de 7,5%; frango, com faturamento de R$ 48,9 bilhões e crescimento previsto de 7,1%; e suínos com faturamento de R$ 18,6 bilhões e crescimento de 9,8%.

Quanto ao VBP agrícola, destaque para a soja, com crescimento previsto de 14,1% impulsionado pelo aumento nos preços (9%) e na produção (4,7%); assim, a oleaginosa deve encerrar 2020 com faturamento de R$ 165,2 bilhões.

O VBP do milho deverá atingir R$ 64,6 bilhões, com crescimento de 3,3%, puxado pela valorização dos preços do cereal (5%). A cana-de-açúcar deverá apresentar crescimento de 7,1%, atingindo VBP de R$ 48,5 bilhões, muito por conta da valorização dos preços pagos (4,5%) e de um aumento na produção (2,5%). A única cultura que deverá apresentar retração no faturamento é o algodão (-2,4%), em virtude de menores preços previstos (-2%), e a produção é praticamente a mesma da safra 2019, com pouca variação.

Embora a produção agropecuária prevista para 2020 seja maior, a tendência de elevação dos custos ainda será um desafio a ser enfrentado pelo setor, e isso poderá se refletir em uma renda um pouco menor no próximo ano, influenciando, assim, o PIB do Agronegócio brasileiro.

De acordo com levantamento realizado pela CNA e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), considerando os últimos dez anos, os custos de produção de soja da safra 2019/2020 poderão ser recorde, pressionando a renda. Ainda segundo o levantamento, a maior parte dos fertilizantes para a safra de soja foram negociadas, no primeiro quadrimestre de 2019, a preços mais elevados quando comparados aos preços negociados nas safras anteriores.

As estimativas calculadas pelo Cepea, pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) e pela CNA demonstram que – diante do cenário de recuperação da economia brasileira, considerando os cenários para os custos e a produção – o PIB do Agronegócio poderá crescer até 3%.

 


Fonte: Canal Rural