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CNA: roubos e furtos de insumos causam prejuízos bilionários ao agro

Postado em 12 de Março de 2020

Organizações criminosas encontraram no campo uma fonte de renda bilionária. Isolados no interior do país ou nas regiões de fronteiras, agricultores sofrem com furtos e roubos de insumos agrícolas. O comércio ilegal desses produtos e os impactos na economia brasileira foram discutidos em evento na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

De acordo com o diretor do Departamento de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Carlos Goulart, é difícil quantificar o número de casos registrados até hoje. “Mas algo que deixou de ser um incômodo e se tornou um problema foram os furtos e roubos de agrotóxicos, de dois/três anos para cá”, comenta.

A produtora Luciane Francio foi vítima de três furtos, que resultaram em prejuízos milionários. “Em uma ocasião, levaram da propriedade US$ 500 mil em defensivos. A outra foi enquanto levávamos os produtos da cidade para a fazenda. Na última, foi fertilizantes: quando chegamos à propriedade, dentro do saco só haviam pedras; o prejuízo foi de R$ 2 milhões”, conta.

Problemas para todos

O coordenador de Tecnologia da CNA, Reginaldo Minaré, afirma que o prejuízo passa de R$ 400 bilhões ao ano. “E atinge todos os setores produtivos, praticamente, não só o agronegócio. Afeta também a indústria e os consumidores finais”, diz

Estudo apresentado durante o evento mostrou o reflexo do contrabando de cigarros na arrecadação fiscal: em 2019, o imposto sonegado ultrapassou o tributo arrecadado. “Outro coisa é a perda de potencial de geração de empregos no campo e na indústria”, afirma Marcos Casarim, economista-chefe da Oxford Economics.

Se é difícil mensurar o tamanho do problema, combater é ainda mais. Para a produtora Luciane Francio, é necessário unir polícias, indústrias e produtores. “Hoje o que busco é a união da indústria com os produtores para melhorar as embalagens e lacres, que são muito vulneráveis. É muito fácil adulterá-las e isso facilita o trabalho dos bandidos”, argumenta.

Minaré destaca que também precisa ser feito um trabalho de conscientização dos compradores. “Tem sido feito e precisa continuar, aprimorar. Quanto mais você tem produtos tecnológicos com alto valor agregado, mais surgem aventureiros querendo ganhar dinheiro fácil com comércio ilegal”, diz.

 


Fonte: Canal Rural