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Cocal avalia opções para seu biometano

Postado em 13 de Janeiro de 2022

A Cocal, produtora paulista de açúcar e etanol, pretende ampliar neste ano as vendas do biometano que produz na usina de cana de Narandiba (SP). Depois de investir R$ 150 milhões em uma planta de biogás, a companhia começou, neste mês, a abastecer seu primeiro cliente industrial com o renovável e prevê para meados do ano iniciar o suprimento à GasBrasiliano, distribuidora de gás canalizado do noroeste do Estado. Em paralelo, a empresa sucroalcooleira busca novos consumidores entre mais indústrias da região.

A aposta no biometano faz parte da estratégia de diversificação de negócios da Cocal, com base no aproveitamento dos resíduos da produção sucroalcooleira. A empresa possui duas usinas - além de Narandiba, ela tem uma também em Paraguaçu Paulista - e quer se posicionar como uma fornecedora de soluções sustentáveis, de olho nas oportunidades da agenda de descarbonização das indústrias.

Controlada pela família Garms, a Cocal prevê faturar R$ 2,5 bilhões na safra 2022/2023. Em Narandiba, a empresa inaugurou, em outubro, uma planta de biogás associada a uma termelétrica de 5 megawatts (MW) no modelo de geração distribuída. Dentro do plano de diversificação de negócios gerados pelo aproveitamento de resíduos e subprodutos, a companhia também investiu R$ 25 milhões em uma unidade de CO2 “food grade” (com grau de pureza exigido para a indústria alimentícia), que deve operar a partir deste mês; e mais R$ 20 milhões em uma planta de secagem de levedura, em atividade desde 2021.

O diretor comercial e de novos produtos da Cocal, André Gustavo Alves da Silva, conta que a ideia é replicar os novos negócios na usina de Paraguaçu e que os estudos com esse fim devem ser concluídos em 2022. Narandiba funcionará como um projeto-piloto.

“Agora, nosso esforço é comercial, para consolidar [o modelo] e abrir um novo ciclo de investimentos na sequência. Estamos desenvolvendo nosso plano estratégico para entrarmos em novas linhas. Buscaremos a linha da sustentabilidade, entendendo que a cana é o petróleo verde, da qual podemos produzir açúcar, etanol, energia, biogás, CO2, levedura, além da química verde”, afirma ele.

O biometano é produzido por meio do processamento do biogás oriundo da biodigestão de matéria orgânica de resíduos e subprodutos das usinas, como torta de filtro e vinhaça. Cerca de 50% do biogás produzido na usina de Narandiba é destinado à produção de biometano; a outra metade será consumida na termelétrica que a Cocal instalou, no modelo de geração distribuída. O plano é começar, em fevereiro, a vender a energia para um consórcio de consumidores.

A planta de biogás começou a operar em outubro. Na semana passada, a Cocal fez as primeiras entregas de carretas de biometano comprimido ao seu primeiro cliente: a YesSinergy, que atua no ramo de nutrição animal e que consumirá 5 mil metros cúbicos diários em Lucélia (SP), a 150 quilômetros de Narandiba.

O volume corresponde a 20% da capacidade de produção de biometano da Cocal, de 24 mil m3/dia. Uma pequena parcela dessa capacidade é consumida internamente, nos testes para troca de diesel por gás nos caminhões da usina, e o restante será comercializado com a GasBrasiliano e outras indústrias da região. Silva diz que novos contratos estão em negociação.

Dentro das especificações da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o biometano pode ser consumido como um produto equivalente ao gás natural. A previsão é que, em julho, a Cocal passe a fornecer à GasBrasiliano - que está construindo um sistema isolado de gasodutos em Presidente Prudente, Narandiba e Pirapozinho. O projeto tornou-se uma alternativa de suprimento a esses municípios que, como estão localizados a 200 quilômetros do gasoduto Bolívia-Brasil, não justificavam economicamente um projeto convencional de conexão à malha integrada.


Fonte: Valor Econômico (12/01)