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Com Arysta, UPL pretende elevar investimento no país

Shroff vê "melhora tremenda" na rentabilidade de UPL e Arysta combinadas

A indiana United Phosphorus Limited (UPL) deve ampliar os investimentos no Brasil, após concluída a compra da Arysta LifeScience, empresa de origem japonesa, que era controlada pela americana Platform Specialty Products (PSP) desde 2015.

Em entrevista ao Valor, o diretor executivo da UPL, Jaidev Shroff, afirmou que a companhia não quer apenas usar o Brasil como "a galinha dos ovos de ouro", mas investir em novas tecnologias.

No ano passado, a UPL anunciou investimento de R$ 1 bilhão no Brasil. Desse montante, R$ 600 milhões já foram investidos em novas plantas no Estado de São Paulo. Com a compra da Arysta, por US$ 4,2 bilhões, os valores devem crescer. "A UPL está comprometida com o Brasil e em fazer mais investimentos em produção", disse Shroff. Segundo ele, a receita conjunta da UPL e da Arysta no Brasil soma mais de US$ 1 bilhão.

A UPL começou a produzir no Brasil em 2011 após a compra da subsidiária brasileira do grupo alemão DVA, da qual herdou a estrutura fabril em Ituverava (SP). "Nós somos a empresa de crescimento mais expressivo no Brasil desde 2011", afirmou o executivo. Antes da compra, a indiana já era a sexta maior no mercado brasileiro.

"O Brasil seguirá sendo nosso maior mercado em receita, com cerca de 20% das vendas", estimou. Globalmente, a "nova UPL" – que deve mudar de nome com a aquisição – passará a ser a quinta maior no ranking das gigantes de defensivos. O faturamento combinado de UPL e Arysta no mundo chega a US$ 5 bilhões e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), a US$ 1 bilhão, com margem Ebitda de 20%. A direção do grupo estima sinergias de US$ 200 milhões anuais.

"Vemos uma melhora tremenda na rentabilidade do negócio combinado", disse Shroff. Para os próximos dois anos, a expectativa é de um avanço de, no mínimo, 3 pontos percentuais na margem.

A UPL tem uma vantagem relevante no mercado global de defensivos pois produz a maioria das matérias-primas intermediárias necessárias para a síntese ou formulação de seus produtos finais. Assim, não é tão dependente das matérias-primas importadas da China, onde a oferta está restrita em decorrência do maior rigor ambiental, que levou ao fechamento de centenas de fábricas de químicos.

Entre os planos para o Brasil, o executivo reforçou o projeto de desenvolver o segmento de pulses – que inclui produtos como grão de bico, lentilha e feijões especiais – bastante consumidos na Índia.

"Teremos déficit de comida na Índia, e acho que de 10% a 20% da agricultura deveria estar focada nesses produtos", afirmou. Segundo ele, há quase quatro anos a empresa vem trabalhando com o Ministério da Agricultura no Brasil e com a Embrapa nesse projeto.

Originalmente conhecida como empresa de produtos genéricos (pós-patentes), a UPL tem investido em produtos de marca própria – aproximadamente 86% da receita global já vem desses produtos – e a ideia é ampliar esses investimentos com a nova aquisição. "Os investimentos da UPL em pesquisa e desenvolvimento estão em torno de 4% das receitas. Na Arysta, é a mesma coisa", afirmou Shroff. Em 2017, os investimentos combinados das duas companhias somaram cerca de US$ 185 milhões.

"Seremos muito mais que uma combinação dos dois investimentos, de 4%", garantiu Shroff. "Um aumento de investimento em P&D nos dará a possibilidade de lançar mais produtos de marca".

Por Kauanna Navarro 


Fonte: Valor Econômico