Clipping

Com as chuvas, plantas daninhas irão impactar mais os canaviais que tiveram aplicações de herbicidas interrompidas por causa da estiagem

Postado em 14 de Outubro de 2020

No período úmido é preciso redobrar os cuidados com o manejo dessas invasoras, que chegam a reduzir até 42% da produção de cana por hectare

A safra 2020/21 no Centro-Sul registrou até o momento uma estiagem acima do normal. No acumulado desde o início do ano, o volume de chuvas foi 50% inferior à média histórica na região. São Paulo e Minas Gerais foram os estados mais afetados, apresentando retração de quase 60% na comparação com o patamar histórico.

O consultor e sócio-diretor da Agro Analítica, Weber Valério, observa que, no momento em que as condições climáticas se tornam extremamente adversas, sempre surge a dúvida: ‘devo parar ou continuar com as aplicações?’. O assunto foi debatido durante palestra da ADAMA no 19º Herbishow - Seminário sobre Controle de Plantas Daninhas da Cana-de-Açúcar. Este ano, o evento, criado pelo Grupo IDEA, foi realizado em formato on-line devido à pandemia do novo Coronavírus (Covid-19).

Para o consultor, os profissionais precisam estar cientes de que a interrupção das aplicações de herbicidas nos meses de julho e agosto em locais onde a estiagem está mais prolongada poderá acarretar prejuízos no terço final da safra. “Atualmente, priorizamos as aplicações na cultura sem folhas buscando a seletividade. Se eu cortar as aplicações em situações de condições climáticas mais adversas, as áreas vão acumular, teremos que fazer pós-emergência e injúrias certamente ocorrerão, não apenas via folha, mas também via raiz, já que as primeiras aplicações, lá na frente, normalmente são de herbicidas com alta solubilidade. Com as chuvas, haverá a lixiviação e absorções radiculares.”

Valério ressaltou que, logicamente, em algumas situações, a paralisação inevitavelmente ocorrerá, como em condições de umidade muito baixa e velocidade de vento acima de 10km/h. Porém, o consultor alerta que, antes de tomar qualquer decisão, o produtor ou usina tem que fazer a lição de casa, refletindo se tomou todas as medidas necessárias para minimizar as perdas futuras. “Hoje, a tecnologia de aplicação avançou de forma a amenizar esses problemas. Já contamos com moléculas adequadas para serem aplicadas nesse período, sem falar que é possível fazer adaptações nos equipamentos para que a chegada do ativo no alvo seja melhorada.”

Jump e Premerlin entregam uma cultura livre de plantas daninhas na época úmida do ano

Com o findar do inverno, esse período mais seco dá adeus e abre espaço para a chegada da tão esperada estação chuvosa. Como qualquer outra planta, a cana-de-açúcar se beneficia dessas chuvas. Uma maior pluviosidade – desde que bem distribuída – possibilita um crescimento mais rápido, maior alongamento e ampla formação de entrenós.

No entanto, assim como a cana, as plantas daninhas também gostam desse período, já que essa época mais úmida do ano traz consigo condições climáticas favoráveis à sua germinação, desenvolvimento e crescimento. Ao longo dos próximos meses, é preciso redobrar os cuidados com o manejo dessas invasoras, já que elas podem chegar a reduzir até 42% da produção de cana por hectare durante o período úmido. A situação pode ficar ainda pior para aquelas unidades que optaram por interromper suas aplicações de herbicidas no meio do ano em função da severa estiagem.

As principais espécies favorecidas neste período chuvoso são as chamadas fisiologicamente de C4, que não apresentam saturação luminosa para produção de fotossíntese. Nesse grupo, destacam-se a tiririca, os capins e as folhas largas de difícil controle, como a mucuna, mamona, merremias e ipomeias.

Para o controle dessas plantadas daninhas, a recomendação do consultor Weber Valério são os herbicidas Premerlin e Jump, ambos da ADAMA. O primeiro é um graminicida por excelência, com ampla eficiência no controle de capim-braquiária, capim-marmelada, capim-colchão e capim-pé-de-galinha. Já o Jump é um herbicida de excelentes resultados no manejo das folhas largas.

Comparativo Testemunha X Jump + Premerlin

Comparativo Testemunha X Jump + Premerlin

Fonte: ADAMA

O Premerlin pode ser aplicado em várias modalidades, como PPI, PP, quebra-lombo e soca úmida. É altamente eficaz para a redução do banco de sementes de gramíneas, inclusive em áreas de expansão (laranja e pasto).  Seletivo, o herbicida possui ótima relação custo/benefício, principalmente quando comparado aos demais herbicidas aplicados na modalidade PPI.

Tabela Jump + Premerlin

Características Jump e Premerlin

Fonte: ADAMA

O Jump também pode ser aplicado em vários segmentos da cultura, como pré,  pós, plantio e soca. Possui ampla eficácia de controle e residual até o fechamento da cana na época úmida. Não causa fitotoxicidade à cultura e possibilita maior controle no perfil do solo devido as diferentes solubilidades dos ativos (Diuron e Hexazinona), aumentando sua eficácia de controle.

 


Fonte: CanaOnline