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Com ativos da Bayer, Basf cresce em sementes no país

Com a liderança folgada no segmento de sementes de algodão no Brasil após a aquisição de ativos da Bayer, o mercado local ganhou ainda mais relevância nos negócios de agroquímicos da alemã Basf.

Dos € 300 milhões adicionados em vendas da América Latina com a compra dos ativos da também alemã Bayer, "boa parte" virá do Brasil, afirmou ontem o vice-presidente sênior da divisão de soluções para agricultura da Basf na América Latina, Eduardo Leduc, a jornalistas.

A Basf assinou em outubro do ano passado e em abril de 2018 acordos para aquisição de parte dos negócios de agroquímicos da Bayer, por € 7,6 bilhoes. A venda desses ativos pela Bayer foi uma exigência dos órgãos reguladores para aprovar a compra da Monsanto pela empresa.

Com as aquisições, a Basf passará a deter o negócio global da Bayer de glufosinato de amônio; o negócio de sementes, incluindo variedades e unidades de pesquisa e manipulação; e marcas de algumas culturas.

No Brasil, em sementes de algodão, a Basf herdará uma liderança folgada, já que a fatia da Bayer CropScience é cerca de três vezes maior que a da segunda colocada, a Tropical Melhoramento & Genética (TMG).

Proporcionalmente, as vendas da Basf no Brasil continuarão a representar cerca de 20% e 25% do resultado global da companhia. Segundo a empresa, a compra dos ativos da Bayer também adiciona € 1,4 bilhão em vendas na América do Norte, € 400 milhões na Europa e € 200 milhões na Ásia. A Basf vendeu na área agrícola cerca de € 6 bilhões em 2017 enquanto os ativos adquiridos da Bayer geraram vendas de € 2 bilhões no período.

"A gente deve continuar crescendo, ganhando espaço no mercado brasileiro em fungicidas e tratamento de sementes. Isso só tende a ser fortalecido com os ativos da Bayer. Agora, conseguimos conversar com o agricultor em todo o ciclo da cultura", disse Leduc.

Segundo ele, a integração do portfólio dos ativos da Bayer aos da Basf deve ocorrer no início de 2019. Quarta-feira foi o primeiro dia da operação conjunta, e a Basf está hoje "na fase de descobertas".

Globalmente, a Basf investiu cerca de € 1,9 bilhão em 2017, sendo € 513 milhões na área agrícola. Os números pró-forma dos ativos adquiridos adicionam mais € 900 milhões investidos em pesquisa e desenvolvimento em agroquímicos no ano passado.

"Com a aquisição, entramos definitivamente no mercado de sementes. O que seria a Basf em 10 anos sem entrar nesse segmento? Nosso comprometimento no longo prazo aumenta muito. É uma mudança muito expressiva. Estamos absorvendo 25 novas unidades de melhoramento", afirmou.

Por Kauanna Navarro


Fonte: Valor Econômico