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Com incerteza econômica, Copersucar busca corte de custos

Maior comercializadora de açúcar e etanol do mundo, a Copersucar sentiu em parte de seus resultados da safra passada, a 2017/18, alguns efeitos da recessão no Brasil, e vê com cautela o cenário macroeconômico que se desenha neste ano. Nesse ambiente, combinado com preços ainda baixos do açúcar, a estratégia para a safra é reduzir custos, afirmou ao Valor Paulo Roberto Souza, presidente da Copersucar.

No último ciclo, o consumo de açúcar pelo brasileiro - que costuma ser resistente a crises - cedeu em torno de 10%. Com isso, as vendas de açúcar da Copersucar no Brasil, onde tem a maior fatia do mercado, caíram na mesma medida, para 1,6 milhão de toneladas.

Agora, a demanda doméstica enfraquecida ameaça estancar a esperada recuperação nos combustíveis, limitando o avanço das vendas de etanol.

No ano passado, o consumo do ciclo Otto (vendas de gasolina e etanol) chegou a ter crescimento de 2% em alguns meses, o que foi encarado como um início de retomada. Contudo, nos quatro primeiros meses deste ano, o consumo cresceu em torno de 1%, e agora a perspectiva é que o volume de venda de combustíveis fique estável em relação à safra passada, segundo Souza.

Se essa perspectiva se confirmar, a única possibilidade de aumento das vendas do etanol hidratado será via competição com a gasolina. Até agora, o etanol tem sido competitivo nas bombas por causa dos repasses da alta do petróleo para a gasolina no mercado interno. Mas eventual mudança na direção dos preços do petróleo ou do dólar pode pressionar o mercado.

Uma possível elevação dos juros neste ano também é motivo de preocupação na empresa, disse ele. Essa medida seria particularmente sensível porque o custo de financiamento é relevante para companhias que atuam como trading e que dependem bastante de capital de giro. "Se os juros subirem no curto prazo, pode ser mais um fator ruim", afirmou Souza.

Com a diminuição da Selic na safra passada, o custo médio da dívida da companhia caiu de aproximadamente 12% para 8%. "Já este é um ano para controlar custo. E, para as usinas, esperar a volatilidade", resumiu.

Por outro lado, a Copersucar deve se beneficiar da alta do dólar ante o real em suas exportações de açúcar. Como o Brasil é o maior exportador do produto, câmbio e preços de açúcar costumam estar inversamente correlacionados. Neste ano, porém, como o Brasil deve reduzir seu espaço no mercado mundial de açúcar, a alta do dólar não tem sido acompanhada na mesma intensidade pela queda da commodity.

Para a trading, os preços do açúcar devem continuar pressionados no curto prazo, mesmo com a expectativa de redução da oferta brasileira. A estimativa da Copersucar é que o Centro-Sul produza 28 milhões de toneladas de açúcar neste ciclo, 8 milhões a menos que na safra passada. Segundo Souza, a reação dos preços ocorrerá, mas não de imediato. "O mercado ainda precisa digerir o excesso de produção da Europa, Índia e Tailândia".

A redução da oferta brasileira de açúcar deve ser resultado de uma menor oferta de cana no Centro-Sul, de 555 milhões de toneladas, e de um mix mais alcooleiro, segundo o executivo.


Fonte: Valor Econômico