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Com laboratórios sobrecarregados, Embrapa vai ajudar a produzir testes

Postado em 24 de Março de 2020

Num momento em que a rede privada de laboratórios de exames médicos dá fortes sinais de sobrecarga, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vem sendo chamada pelo governo a ajudar na produção de testes para diagnóstico do novo coronavírus. Em muitos casos país afora, pacientes já não conseguem mais realizar o exame nos centros de medicina diagnóstica.

Fontes ouvidas pelo Valor afirmaram que os laboratórios da empresa que dispõem de equipamentos de biologia molecular vão ser utilizados para os exames de identificação da doença. A Embrapa conta neste momento com dez laboratórios habilitados para a realização dos testes.

A medida foi tratada com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e articulada com o colega da Saúde, Luiz Henrique Mandetta — seu conterrâneo e colega de partido —, no último fim de semana e há uma possibilidade de ser anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro nos próximos dias.

“A ideia é que o Brasil comece a fazer os testes de diagnóstico e identificação, se pessoas estão ou não com vírus, em grande quantidade. A Embrapa vai poder ajudar com a infraestrutura que tem”, disse uma fonte da estatal

Além de ceder os espaços, a Embrapa avalia usar seu efetivo de pesquisadores para a realização dos testes de covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus e que vem registrando rápido avanço no Brasil.

A ideia articulada pelo governo é mobilizar a estrutura de grande capilaridade da estatal espalhada pelo Brasil para a elaboração de testes com a técnica “RT- PCR” (sigla em inglês para transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase). A medida é capaz de identificar a presença ou não do vírus na amostra analisada. O método é utilizado em laboratórios de diversas áreas de pesquisa, como a agropecuária.

Os dez laboratórios já dotados dessa infraestrutura capazes de contribuir para os exames se encontram nas unidades da Embrapa Acre (Rio Branco/AC), Agrobiologia (Seropédica/RJ), Cerrados (Planaltina/DF), Tabuleiros Costeiros (Aracaju/SE), Mandioca e Fruticultura (Cruz das Almas/BA), Agroindústria Tropical (Fortaleza) e Hortaliças (Brasília).

Nessas unidades, pesquisadores fazem a extração e sequenciamento de DNA para identificação de microorganismos em plantas, por exemplo. Na Embrapa Hortaliças, são feitos testes de detecção de vírus que ocorrem em hortaliças pelo método RT-PCR.

O Valor apurou ainda que o governo solicitou levantamentos a universidades e institutos de pesquisas sobre certos tipos de equipamentos e laboratórios que pudessem ajudar nos testes do novo coronavírus. O objetivo é ajudar a desafogar as demandas dos laboratórios da rede pública de saúde.

Por Rafael Walendorff e Cristiano Zaia


Fonte: Valor Econômico