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Com novo plano, Renuka do Brasil tenta evitar falência

O tumultuado processo de recuperação judicial da Renuka do Brasil, que já se estende há quase três anos e segue sem definição, ganhou novos capítulos nos últimos dias. Na quarta-feira, uma hora antes do jogo do Brasil contra a Sérvia na Copa do Mundo e apenas um dia antes da assembleia de credores que votaria o novo plano de recuperação, a companhia protocolou na Justiça uma nova proposta para aplacar o descontentamento de bancos e fornecedores, que ameaçavam vetar o plano anterior.

Um dos pontos do plano apresentado anteriormente que estava gerando alvoroço previa a "hibernação" por três anos da Usina Madhu, localizada em Promissão (SP). A oposição mais firme surgiu entre fornecedores da região, que estão com cana em pé em suas lavouras e temiam ter que recorrer a usinas distantes para garantir alguma renda no período em que a unidade ficasse parada. Esse grupo começou a militar pela decretação da falência da companhia, acreditando que poderia assumir a operação da usina com a medida, segundo fonte envolvida nas negociações.

Além disso, a proposta também gerou indignação entre os políticos da região por causa do efeito recessivo que a medida causaria na economia local, com redução de arrecadação de impostos e desemprego, conforme apurou o Valor. Atualmente, a Renuka do Brasil emprega cerca de 3,5 mil trabalhadores nas duas usinas. Em seus tempos áureos, a companhia chegou a ter 6 mil funcionários.

O novo plano apresentado nos "45 do segundo tempo" mantém a proposta de venda da Usina Revati, em Brejo Alegre (SP), e prevê que a Renuka do Brasil arrende os equipamentos ou toda a Usina Madhu para o comprador da primeira, ou ainda para outro interessado, mantendo-a em operação.

Também passou-se a prever a possibilidade de os credores participarem do leilão através da conversão de créditos em participação. Essa possibilidade atende uma reivindicação dos bancos para dar valor econômico aos créditos. Segundo outra fonte a par do assunto, há bancos que podem se interessar em vender seus créditos para investidores potenciais na Usina Revati.

A participação de investidores que já haviam se habilitado para participar do leilão deve ser mantida, segundo uma fonte. Além da gestora de fundos Castlelake, um fundo abutre também habilitou-se para o leilão. Trata-se de uma sociedade constituída nos EUA sob o nome "Brazil S&E" gerida por fundos geridos pelo Citigroup e pela gestora de fundos OnePartners.

Uma terceira modificação prevê que a proposta vencedora do leilão passe pelo crivo dos credores. O objetivo é evitar lances muito baixos. Atualmente, a dívida da companhia ultrapassa os R$ 3 bilhões.

Agora, os credores da companhia terão até o dia 19 de julho para avaliar o plano e votar pela sua aprovação ou pela falência da companhia.

Por Camila Souza Ramos


Fonte: Valor Econômico