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Com safra recorde e juros menores, Kepler vê retomada de investimentos em silos

A produção recorde de grãos esperada para a safra 2016/17, pouco mais de 230 milhões de toneladas, já se traduziu em um volume de orçamentos para silos, em maio, até três vezes maior que no começo do ano e deve contribuir para que o faturamento da Kepler Weber cresça 20% em 2017, disse o vice-presidente da empresa, Olivier Colas, em entrevista ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado). Também reforça o otimismo a perspectiva de que, neste ano, os juros oficiais serão menores e os recursos federais fluirão melhor para os tomadores de crédito do que em 2016.

“Haverá aumento do faturamento com certeza, estamos confiantes. Trabalhamos com estimativa de crescimento de 20%, que é o projetado também para as vendas de silos. Nossa dúvida é apenas sobre qual parcela dos pedidos de orçamento se transformará em faturamento de 2017”, afirmou Colas. No ano passado, a receita líquida da empresa foi de R$ 475,3 milhões, 32,7% abaixo dos R$ 705,9 milhões de 2015. A receita líquida com armazenagem em 2016 teve recuo semelhante, 37,2%, para R$ 293,3 milhões.

Colas projeta que em 2017 o mercado nacional de armazenagem deve chegar a vendas de silos equivalentes a capacidade para 4 milhões de toneladas, das quais metade serão da Kepler. No ano passado, foram comercializados silos para armazenar 3,3 milhões de toneladas. Entre a safra 2015/16 e 2016/17, contudo, o volume adicional de grãos colhidos chegou a quase 48 milhões de toneladas. “O déficit continua crescente”, afirmou. De acordo com a companhia, chega a aproximadamente 70 milhões de toneladas.

Quem está puxando a retomada nas vendas são os grandes produtores, tradings e cooperativas capitalizadas, que conseguem contornar a insuficiência de recursos federais para o agronegócio com recursos próprios. Mas o anúncio do Plano Agrícola e Pecuário 2016/17 foi recebido com bons olhos pela companhia, não somente por elevar levemente o montante para o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) para R$ 1,6 bilhão (ante R$ 1,4 bilhão em 2016), como por reduzir em 2 pontos porcentuais as taxas de juros, para 6,5%.

Apesar de no ano passado somente R$ 600 milhões do PCA terem sido utilizados, segundo Colas, ele acredita que em 2017 os recursos do programa fluirão melhor para os compradores. Em 2016, além da menor disposição do setor agrícola em investir em silos por causa da safra menor em 2015/16, havia mais exigências impostas por bancos repassadores para liberar recursos em 2016, lembra o executivo. “Neste ano os juros estão caindo, a economia voltou a crescer, o ambiente de crédito é melhor e os bancos devem afrouxar um pouco a análise dos compradores”, disse Colas. Os juros mais baixos do PCA também podem abrir espaço para pequenos e médios produtores investirem em silos, aponta ele.

Dentro de um ou dois anos, o setor de armazenagem pode vir a ser movimentado também por recursos privados, avalia Colas. Isso se a curva da taxa de juros continuar decrescente. “Hoje as taxas de juros de bancos, entre 14% e 15% ao ano, não justificam o investimento. Mas se o Brasil continuar com curva descendente de juros, pode ser que daqui a um, dois anos, o próprio mercado financie este investimento”.

Outras apostas
As adequações da companhia para explorar negócios em outros segmentos e compensar o fraco desempenho da armazenagem nos últimos anos têm trazido retorno positivo e devem manter esta tendência ao longo de 2017. No segmento de projetos de movimentação de granéis sólidos em terminais portuários, é observado o apetite por investimentos tanto em terminais portuários fluviais como marítimos, disse o vice-presidente da Kepler.

“Temos sido consultados constantemente, há investimentos no Porto de Santos e também no Norte do Brasil. Queremos atuar de uma forma ainda mais forte no futuro”. No primeiro trimestre, de fato, a receita líquida da Kepler com o segmento aumentou 134,8%, para R$ 11,9 milhões.

Quanto aos negócios de reposição de peças e serviços, o retorno também foi positivo até o momento porque boa parte dos produtores tem optado por fazer a manutenção ou a reforma de instalações existentes. A receita líquida com esta área cresceu 10,5% no primeiro trimestre, somando R$ 8,6 milhões.

As exportações, em compensação, têm deixado a desejar, prejudicadas pelos preços internacionais das commodities. “A única decepção tem sido o mercado exportador. Além disso, atuamos em países que, um após o outro, entraram em guerras civis”, lembrou Colas, mencionando nações do Oriente Médio. Ele também lembrou que, na América do Sul, a “grande locomotiva do setor”, a Argentina, ainda investe de forma tímida e a Venezuela passa por um momento de grave instabilidade política. A receita líquida com exportações da Kepler Weber recuou 40,6% nos três primeiros meses do ano, somando R$ 15,4 milhões.


Fonte: Estadão Conteúdo