Clipping

Commodities: Cacau e açúcar sobem na bolsa de Londres

Postado em 16 de Fevereiro de 2021

Em um dia de poucas negociações na bolsa de Londres, os preços do cacau e do açúcar refinado subiram, ao passo que as cotações do café robusta cederam à pressão de indicadores fracos de demanda. Nesta segunda-feira, não houve operações com “soft commodities” na bolsa de Nova York, que permaneceu fechada por causa do feriado do Dia do Presidente nos Estados Unidos. Também não houve pregão para soja, milho e trigo em Chicago.

Em Londres, os contratos do cacau para maio (os mais negociados) fecharam a sessão a 1.664 libras por tonelada, com alta de 0,8% (13 pontos) ante sexta-feira.

No último pregão da semana passada, esses mesmos contratos haviam subido com notícias de paralisação de embarques na Costa do Marfim. “Há muito cacau para se entregar por lá, mas os negócios estão um pouco parados”, escreveu o analista do Price Futures Group, Jack Scoville, em relatório.

Os preços do cacau têm estado altamente voláteis. Na semana passada, preocupações com as vendas para o Valentine’s Day, celebrado em 14 de fevereiro, pressionaram as cotações. Conforme nota da consultoria Barchart, pesquisa conduzida pela National Retail Federation mostrou que os consumidores dos EUA planejavam gastar apenas US$ 21,8 bilhões para comemorar o Dia dos Namorados no país, ante US$ 27,4 bilhões no ano passado.

Já os contratos futuros do açúcar refinado com vencimento em maio fecharam a sessão a US$ 456,70 a tonelada, alta de 0,84% (3,8 pontos).

À Dow Jones Newswires, o analista Robin Shaw, da consultoria inglesa Marex Spectron, disse que o mercado de açúcar deve permanecer sustentado pelos fundamentos de oferta e demanda.

Segundo ele, estimativas apontam para um recuo na safra tailandesa e também indiana do adoçante, enquanto no Brasil é a oferta de etanol que está apertada. “Isso poderia fazer com que as usinas de açúcar brasileiras produzissem mais etanol a partir da sua cana e menos açúcar”, disse Shaw.

Na sexta-feira, o Citigroup estimou que haverá um excedente global de açúcar de 5 milhões de toneladas em 2021/22. O déficit estimado para 2020/21 é de 2 milhões de toneladas.

Os contratos de café robusta com vencimento em maio recuaram 0,8% (11 pontos), para US$ 1.356 por tonelada na bolsa de Londres.

Scoville, da The Price Futures Group, destacou na sexta-feira que a demanda de cafeterias e outras lojas de food service ainda está em níveis muito baixos, o que pressiona as cotações do café. Comparativamente ao arábica, contudo, o robusta ainda tem levado vantagem e composto o blend dos consumidores em casa com mais frequência, segundo o analista.

Na visão do Conselho Nacional de Café (CNC), as cotações de ambas as espécies só não caem mais por conta da perspectiva de oferta global reduzida este ano. Isto em consequência de problemas climáticos no Brasil (estiagem e altas temperaturas), Vietnã (tufões) e países da América Central (furacões). O comentário foi feito também na sexta-feira, em nota.

Por Marina Salles e Fernanda Pressinott

 


Fonte: Valor Econômico