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Commodities: Valorização do petróleo puxa alta do açúcar na bolsa de Nova York

Postado em 5 de Março de 2021

A valorização do petróleo deu suporte às cotações do açúcar na bolsa de Nova York nesta quinta-feira. Os contratos do demerara para julho (de segunda posição) fecharam a 15,70 centavos de dólar a libra-peso hoje na bolsa de Nova York, com alta de 8 pontos. Ontem, as cotações recuaram em um movimento de realização de lucros, ocorrido após o produto chegar a ser negociado na terça por seu maior valor em quatro anos.

O petróleo disparou no início da tarde com a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e de países aliados, como a Rússia, de manutenção do nível de produção atual — com uma limitação voluntária da oferta — por mais um mês, até abril. O contrato do petróleo Brent para maio fechou em alta de 4,16%, a US$ 66,74 por barril, enquanto o do WTI para abril avançou 4,16%, a US$ 63,83 por barril

Os preços mais altos do petróleo beneficiam os preços do etanol e podem levar as usinas de açúcar do Brasil a destinar mais moagem de cana para a produção de etanol em vez da produção de açúcar, reduzindo a oferta do adoçante.

O mercado do algodão ignorou a influência do petróleo — que costuma ser favorável porque encarece os tecidos sintéticos, concorrentes da pluma —, e os contratos futuros com entrega para maio recuaram 1,48% (131 pontos) nesta quinta na bolsa de Nova York, a 87,14 centavos de dólar a libra-peso.

De acordo com o analista Keith Brown, da consultoria DTN, o mercado até tentou uma recuperação no meio da sessão, mas sucumbiu aos dados de vendas divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O órgão informou que 36,8 mil toneladas de algodão foram negociadas na semana até o dia 25, recuo semanal de 32% e de 27% em relação à média das quatro semanas anteriores.

“Desde a última quinta-feira, o mercado tem lutado para recuperar sua compostura de alta. Na próxima semana, o mercado analisará os números de oferta e demanda do USDA, que devem ficar abaixo do esperado”, afirmou Brown. No geral, disse o analista em relatório diário, o algodão está em quadro de sobrecompra desde o início do ano.

Comentários do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, também pesaram sobre as cotações. Ele sugeriu que a inflação poderia aumentar à medida que a covid-19 continua a prejudicar a economia dos EUA.

Conforme Brown, isso fez com que os rendimentos do títulos do Tesouro americano subissem, o que, por sua vez, fez o dólar se valorizar ainda mais. Normalmente, considera-se que um dólar mais forte é negativo para as exportações dos EUA.

Os contratos futuros de café arábica com vencimento em maio também caíram, pressionados pelo desempenho das exportações da Colômbia. O embarques de café do país cresceram 18%, para 1,3 milhões de sacas, seu maior patamar desde fevereiro de 199. Com isso, os lotes recuaram 0,48% (65 pontos) hoje, a US$ 1,3215 por libra-peso na bolsa de Nova York.

O grão estendeu as perdas da semana em meio a sinais de que a oferta global será suficiente para cobrir a demanda prevista. Segundo a Federação dos Cafeicultores da Colômbia (FNC), a produção de café arábica lavado do país aumentou 11% em fevereiro, para 1,1 milhão de sacas. A alta acumulada nos dois primeiros meses do ano foi de 7%.

Os lotes de cacau com vencimento em maio fecharam o pregão de hoje a US$ 2.625 a tonelada, em queda 1,20% (US$ 32). Ontem, esses contratos haviam subido 0,45%, refletindo o otimismo em torno da vacinação e da redução de casos de covid-19 na Europa e nos EUA.

De acordo com o site Barchart, a retração reflete um dólar mais forte, que gerou alguma pressão por realizações de lucros nos futuros da amêndoa. Em relação ao real, porém, a moeda americana caiu 0,10%, a R$ 5,6602, após tocar R$ 5,5450 na mínima do dia.

Segundo a consultoria Zaner Group, a expectativa de um aumento de demanda por chocolate, amparada pelo avanço da vacinação contra a covid-19 nos Estados Unidos e Europa, seguiu como sustentação para os preços. Além disso, a estação seca da África Ocidental ainda vai se estender até o fim de março, e, até o momento, essas condições climáticas têm tido impacto negativo sobre a produção.

Por fim, os contratos futuros de suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) com vencimento em maio recuaram 25 pontos, a US$ 1,1110 por libra-peso.

 


Fonte: Valor Econômico