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Como fica a Petrobras (e a gasolina) com a crise do petróleo?

Postado em 10 de Março de 2020

Certeza, mesmo, é que a decisão da Arábia Saudita de medir forças com a Rússia no mercado global de petróleo vai trazer grandes consequências para o Brasil

A perspectiva de desaceleração mundial por conta da epidemia de coronavírus (covid-19) já vinha castigando a petroleira Petrobras neste ano. Com uma queda de 24% na cotação internacional do petróleo, a estatal perdeu cerca de 80 bilhões de reais em valor de mercado na bolsa brasileira B3 em 2020 – até a sexta-feira.

A guerra de preços do combustível iniciada pela Arábia Saudita no final de semana deve impor uma nova depreciação à empresa mais importante do mercado brasileiro, que tem peso de 9,8% no índice acionário Ibovespa.

No início da manhã de hoje, o contrato futuro de petróleo tipo Brent, que serve de referência para os preços praticados pela Petrobras, recuava 19,9%, para 36 dólares o barril, na bolsa de Londres.

Com o dólar perto de 4,75 reais, essa cotação significa uma geração anual de caixa de cerca de 15,2 bilhões de dólares para a Petrobras, segundo cálculos do analista Thiago Duarte, do banco de investimentos BTG Pactual. Quando o petróleo estava um pouco acima de 60 dólares o barril, no final de janeiro, a geração de caixa estimada era de 35,3 bilhões de dólares.

Ou seja, em sete semanas, a perspectiva de geração de caixa anual da Petrobras caiu 20 bilhões de dólares. Como o preço de mercado da ação é calculado, pelos investidores, a partir das estimativas de ganhos futuros da companhia, a ação tende a continuar caindo conforme o petróleo recuar. A petroleira Saudi Aramco desabou 9% na bolsa saudita hoje, passando a valer menos que em sua abertura de capital, no ano passado.

 


Fonte: Redação Exame