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Como funciona a metodologia IAC em relação aos ambientes de produção de cana-de-açúcar

Postado em 12 de Abril de 2021

A nova classificação de ambientes de produção tornou possível usar a mesma referência para todo Brasil

Segundo Hélio do Prado, pesquisador do IAC, Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o ponto de partida de produção da cana-de-açúcar é o ambiente de produção nas condições naturais da interação solo e clima, considerando o manejo convencional. O ponto de chegada é ter manejo avançado, com adoção das tecnologias geradas pelo Instituto Agronômico, como Terceiro Eixo, irrigação, efeitos da vinhaça e da torta, adubação foliar, além de resíduos nutricionais deixados pela cultura anterior, que pode ser soja ou frutíferas.

O cientista desenvolveu a metodologia para classificar os ambientes de produção de cana-de-açúcar atribuindo-lhes letras, que os classificam conforme a condição favorável ou desfavorável de produção. Até 2006, o método contava com cinco letras: A, B, C, D e E, em que era feito o enquadramento de cinco tipos de solos em cinco ambientes. "Notei que precisava aumentar a quantidade de letras porque uma grande usina possui 20 a 30 tipos de solos, ficando impossível enquadrá-los em só cinco letras", comenta.

Assim surgiu a classificação A1, A2, B1, B2, C1, C2, D1, D2, E1, E2, F1, F2, G1 e G2, que reúnem os possíveis ambientes no manejo convencional. Para atingir ambientes A+1, A+2, A+3, A+4, A+5 é preciso fazer algumas combinações de manejos avançados e saber qual é o ambiente no ponto de partida, ou seja, nas condições de manejo convencional no clima local.

Em resumo: no manejo convencional é possível atingir baixas produtividades, podendo ser desde G2, se for solo pedregoso, e também alcançar altas produtividades, chegando ao topo ao atingir A1, no melhor solo, na região mais chuvosa, como no Paraná.

O pesquisador relata exemplos de ambientes que se deslocaram do ponto de partida, no manejo convencional, para ambientes mais favoráveis no manejo avançado, como ocorreu em Taquaritinga, interior paulista, com Argissolo eutrófico, que representa o ambiente A1. "Porém, esta mesma região deslocou-se para o ambiente A+2 pelos benefícios proporcionados pela tecnologia do Terceiro Eixo e pela adubação foliar", comenta.

Na usina Agrovale, em Juazeiro, na Bahia, com Vertissolo no ambiente G2, no manejo convencional, houve mudança para o ambiente A+1 pelo efeito da irrigação por gotejamento, mais vinhaça e compostagem. A Agrovale é a única no mundo que irriga 17 mil hectares ao mesmo tempo, segundo Prado. Os dados sobre as produtividades obtidas nessa área estarão na nova edição do livro de autoria do pesquisador do IAC.

Na região Centro-Sul a produtividade aumenta, pois chove mais e os solos são melhores. "O melhor solo no manejo convencional, na região do Paraná atinge o ambiente A1, o recordista sem o citado manejo avançado", diz o pesquisador. As produtividades mencionadas referem-se às obtidas na colheita no meio de safra, no manejo convencional.

A nova classificação de ambientes de produção tornou possível usar a mesma referência para todo Brasil. "Desde a região Nordeste, onde a produtividade histórica, na média de cinco cortes, é de 60 toneladas, por hectare, no citado manejo convencional, ambiente F1, até o ambiente A1, com produtividade média de 5 cortes, no melhor solo do Paraná", complementa. Esses dados foram reunidos em uma única régua, em que é possível consultar todas essas informações.

 


Fonte: CanaOnline com informações da Assessoria de Imprensa do IAC