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Compra da Arysta fortalece UPL também no Brasil

A conclusão das meganegociações que agitaram o mercado de defensivos nos últimos anos não encerrou o processo de consolidação global no segmento. Na sexta-feira, a indiana United Phosphorus Limited (UPL) anunciou a compra da Arysta LifeScience – de origem japonesa, mas controlada pela americana Platform Specialty Products (PSP) desde 2015 – por US$ 4,2 bilhões em dinheiro.

Segundo nota da UPL, o pagamento será feito com recursos da Abu Dhabi Investment Authority (ADIA) e da TPG, além de US$ 3 bilhões de financiamento, com vencimento em até 5 anos, do MUFG Bank e da Coöperatieve Rabobank.

No Brasil, o negócio representa a união entre a sexta e a sétima maiores do mercado de agroquímicos. "A UPL faturou US$ 500 milhões no ano passado no país, e a receita da Arysta foi de cerca de US$ 400 milhões. É uma concentração ainda maior de um mercado já bem concentrado", afirmou Flavio Hirata, da consultoria Allier Brasil. Ele lembrou que, em 2017, as oito maiores do mercado brasileiro, todas multinacionais, foram responsáveis por 88% do faturamento do ramo no país.

De acordo com a UPL, a negociação criará uma empresa com vendas globais ao redor dos US$ 5 bilhões e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 1 bilhão. E sinergias estimadas em US$ 200 milhões anuais.

O negócio da UPL com a PSP ainda está sujeito a aprovações regulatórias. A expectativa é que seja finalizado até o começo de 2019. A PSP anunciou que mudará seu nome para Element Solutions e dará foco a "soluções de desempenho" para as áreas de produtos eletrônicos, industriais e de energia.

A Arysta havia sido comprada pela PSP em fevereiro de 2015. No mesmo ano, a PSP juntou aos ativos da Arysta os da belga Agriphar e os da americana Chemtura AgroSolutions. Todas as empresas ficaram sob o guarda-chuva da Arysta e eram o braço de agricultura da PSP.

Com a compra, a UPL, que atua no mercado de agroquímicos pós-patente, entra no mercado de defensivos biológicos. Em maio, o presidente da Arysta no Brasil, Fábio Torreta, afirmou ao Valor que cerca de 20% do faturamento da empresa no país vem de defensivos biológicos e 80% de químicos, entre marca própria e genéricos. Em 2017, conforme Torreta, o faturamento no país atingiu US$ 415 milhões, 61,5% da receita total na América Latina. Globalmente, a Arysta faturou US$ 1,9 bilhão em 2017.

Torreta disse, então, que a meta era que os biológicos respondessem por 30% das vendas na América Latina. Para 2018, a perspectiva era que a receita crescesse para US$ 460 milhões. Segundo comunicado divulgado pela Arysta, o presidente global da UPL, Jaidev Shroff, acredita que, com a compra, a "nova UPL" alcançará o objetivo de ser a principal fornecedora global de produtos para cultivos.


Fonte: Valor Econômico