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COP 25: Setor já reflorestou mais de 200 mil hectares de mata

Postado em 10 de Dezembro de 2019

Em maior ou menor área, eles estão presentes nas usinas. Em vasos e tubetes, milhares de mudas nativas são preparadas para serem inseridas na natureza em áreas de preservação ou locais de reflorestamento. Assim, grandes extensões ganham vida e o verde escuro das matas se fundem ao verde claro dos canaviais. Resultado de um trabalho diário de preservação do meio ambiente. Nos últimos 12 anos, mais de 200 mil hectares foram reflorestados pelo setor sucroenergético. Ao todo, mais de 40 milhões de mudas de mata nativa foram plantadas.

O plantio das árvores também resultou na recuperação de mais de 8 mil nascentes. Muitas que deságuam em rios e lagoas responsáveis pelo abastecimento de água de vários municípios. “Estudos recentes indicam a que recomposição da vegetação nativa pode melhorar a produtividade da cana-de-açúcar. Os insetos presentes na vegetação recomposta atuam como instrumentos de controle biológico, contribuindo no manejo de pragas que atacam a cana-de-açúcar. Esse é só mais um exemplo de relação de ganha-ganha na cadeia produtiva sucroenergética”, comenta a gerente de Sustentabilidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Renata Camargo.

Corredores ecológicos

Em Novo Horizonte, interior de São Paulo, o reflorestamento e a preocupação com a floresta nativa são tratados como prioridade na usina São José da Estiva. O grupo mantém um viveiro que já chegou a contar com mais de 150 espécies nativas que, anualmente, produz mais de 40 mil unidades, entre ipês, embaúbas, jatobás e jacarandás. A região está na transição do frescor da Mata Atlântica e a aridez do Cerrado.

Mas não é só a vegetação que é beneficiada pelo trabalho de preservação e recomposição desenvolvidos no local. Marcelo Adriano Pereira, supervisor de sistematização e topografia da usina, conta que o trabalho de reflorestamento tem possibilitado o retorno da fauna para a região.

“Fizemos por dois anos o monitoramento da fauna e tivemos algumas surpresas. Inclusive a onça parda está tendo mais incidência. Acreditamos que quando você retorna a natureza ao seu estado natural, os animais reconhecem esses lugares e acabam voltando. A onça, por exemplo, é um animal predador, vem procurar alimentação e consegue achar”, afirma Pereira.

“A gente sabe que o setor realmente se preocupa com a natureza. A gente tem o controle desde a hora que nasce a mudinha até o destino dela. Isso é um ganho fora do normal. Além do benefício para natureza, tem a satisfação de plantar, aquela pontinha de amor pelo trabalho”, orgulha-se Marcelo.

Para contribuir ainda mais com o retorno da fauna local, as usinas têm investido nos corredores ecológicos. Unir fragmentos de matas ajuda no deslocamento de animais, na dispersão de sementes e no aumento da cobertura vegetal.

“Chegamos a essa necessidade porque em algumas fazendas, áreas que foram desmatadas há muitos anos, e que hoje está na nossa administração, existem alguns fragmentos de vegetação nativa. E esses fragmentos a gente liga por meio de corredores ecológicos. Nada mais é que uma faixa que a gente planta as árvores nativas de novo, ligando a área de preservação permanente (APP) de modo que os animais possam circular ali livremente sem precisar circular na cultura de cana”, explica o supervisor.

Educação Ambiental

A menos de 100 quilômetros de distância de Novo Horizonte, a unidade de Potirendaba, da COFCO Internacional, também segue a mesma linha. Do viveiro, que hoje conta com mais de 80 espécies de Cerrado e Mata Atlântica, já saíram mais de um milhão de mudas para reflorestamento de uma área de 600 hectares entre as unidades de Catanduva e Potirendaba.

Por lá, a sustentabilidade faz parte dos pilares da empresa, que faz questão de envolver todos os funcionários no processo. Uma vez a cada três meses, funcionários e familiares aproveitam o momento de integração promovido pela empresa e plantam árvores. São inúmeras as histórias de pessoas que se orgulham de terem feito parte desse processo.

Um exemplo é o analista de Planejamento de Controle de Manutenção Automotiva Thierry Laurindo de Almeida Prado que conta que no último evento ele, a noiva e os pais plantaram diversas árvores na área de reflorestamento da COFCO. O analista também recebeu diversas mudas frutíferas que plantou na chácara da família.

O funcionário emociona-se ao imaginar que, no futuro, seus herdeiros poderão descansar debaixo de um pé de jabuticaba, comer os frutos e respirar um ar melhor com essa atitude.
“Quem não conhece pode até achar que é pouco, mas o trabalho com reflorestamento é muito grande, além de uma grande responsabilidade. Plantar árvores melhora a qualidade de vida. Além de gerar um impacto muito positivo para o futuro. Na qualidade do ar, no clima. O plantio das árvores também cria um passado em comum. E a gente pode contar a história daquela árvore. Fica uma história do meu trabalho”, comenta.

O analista ambiental da COFCO, Eduardo Furlan Bueno, conta que a população local é de extrema importância para o desenvolvimento dos projetos de sustentabilidade. Além dos funcionários da empresa, a comunidade também é convidada a participar desse processo.
“A gente conversa com a sociedade e chama para ajudar a gente. Também ajudamos fornecendo mudas para escolas que fazem parte do projeto. É o que a gente busca, a sustentabilidade: produção, meio ambiente e sociedade integrados”, explica.

Foco na sustentabilidade
Essas ações reforçam o compromisso do setor sucroenergético com o desenvolvimento sustentável. Nesta terça-feira (10), em Madri, durante evento da Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) a UNICA formaliza a entrada no Acordo de São Paulo. Proposta do governo paulista que estimula o setor privado desenvolver trabalhos com foco na redução de emissões de gases poluentes.

 


Fonte: UNICA