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Cosan de olho nas privatizações na Petrobras

Ometto: "Bolsonaro é uma pessoa pragmática. Conseguiu uma votação grande porque a comunicação dele é muito clara, muito simples, muito pragmática"

Rubens Ometto, dono da Cosan e maior empresário do segmento bioenergético do país, defendeu ontem a jornalistas, em evento em São Paulo, a proposta do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), a quem apoiou no segundo turno, de realizar privatizações na Petrobras e reforçou que pode ter interesse em ativos de refino da estatal. O empresário também afirmou que Bolsonaro é "pragmático", inclusive no que tange às questões ambientais.

"Ele tem viés ambiental, claro que tem. Mas tem viés ambiental pragmático. Ele é uma pessoa pragmática. Conseguiu uma votação grande porque a comunicação dele é muito clara, muito simples, muito pragmática", afirmou Ometto pela manhã, após participar da Conferência Datagro, sobre o mercado de açúcar e etanol.

À tarde, Onyx Lorenzoni (DEM), futuro ministro-chefe da Casa Civil do novo governo, disse que o Ministério do Meio Ambiente de fato será "fundido" ao da Agricultura, voltando à proposta inicial de Bolsonaro após recuo anunciado antes do segundo turno sobre essa questão.

Também na campanha, Bolsonaro sinalizou que o Brasil poderia sair do Acordo de Paris, o que levantou preocupações não apenas entre ambientalistas, mas também em alguns elos do segmento sucroalcooleiro, já que o recém-criado programa RenovaBio está alinhado às metas do país no acordo climático.

Questionado sobre eventual saída do Brasil do Acordo de Paris, Ometto não demonstrou preocupação. "Calma, deixa andar. Vocês estão muito precipitados. Poder, ele pode tudo. Mas é um cara racional, vai ter gente boa do lado dele", afirmou o empresário. "Ele é um patriota. Vai querer fazer o que é melhor para o nosso país. Pode acreditar nisso", acrescentou.

Quanto à eventual privatização de áreas de refino da Petrobras, como também foi mencionado pela equipe de Bolsonaro (PSL), Ometto sinalizou que tem interesse. "Está no nosso negócio", disse ele.

"Acho que está no nosso negócio. Se tem interesse, depende de um monte de coisa", disse. Mas, segundo Ometto, o interesse "depende do modelo" da privatização. Questionado sobre se está de olho em outras áreas que poderão ser privatizadas, o empresário afirmou que o foco da Cosan está "na parte de logística e de energia".

Em abril, a Raízen, joint venture da Cosan com a Shell, adquiriu ativos de refino da Shell na Argentina, seu primeiro passo nesse ramo. Sobre uma eventual entrada nessa área no Brasil em caso de privatizações na Petrobras, Ometto disse que "seria uma forma de continuar nosso negócio". Para o empresário, a privatização de algumas frentes da estatal "é saudável para o país e para a Petrobras".

Quanto à perspectiva para a política de preços de combustíveis da Petrobras sob o governo Bolsonaro, o empresário afirmou que acredita que ele não vai interferir. "É o que é racional", opinou.

Por Camila Souza Ramos


Fonte: Valor Econômico