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Cosan e Shell já debatem possível IPO da Raízen

Postado em 7 de Julho de 2020

A Cosan e a Shell, sócias na Raízen, já discutem um potencial oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da joint venture que atua na distribuição de combustíveis e em açúcar e álcool, na esteira da reorganização societária que deve ser levada a cabo pelo conglomerado brasileiro. “Já fizemos progressos, mas ainda não há um acordo final”, afirmou o diretor financeiro da Cosan, Marcelo Martins, em teleconferência com analistas e investidores. O grupo iniciou estudos para simplificar sua estrutura societária, com a manutenção de apenas uma holding e futura abertura de capital de empresas controladas.

Conforme Martins, a discussão mais complexa entre as controladas do grupo é justamente a da Raízen, uma vez que as decisões não dependem exclusivamente da companhia. “Nosso foco é chegar a um acordo e ir a mercado quando as condições estiverem favoráveis”, afirmou, acrescentando que as sócias ainda não chegaram a discutir se, em caso de seguir adiante com o IPO, haverá duas operações, uma para Raízen Combustíveis e outra para Raízen Energia.

A incorporação da Cosan Limited pela S.A. deve gerar sinergias, particularmente na linha de despesas gerais e administrativas, mas ainda não há estimativa. Em linhas gerais, a Limited e a Cosan Logística serão incorporadas pela Cosan S.A., que emitirá recibos de ações (ADRs) para possibilitar a troca de papéis da Cosan Limited, listada na bolsa americana.

Na avaliação dos analistas Bruno Amorim, Osmar Camilo e João Frizo, do Goldman Sachs, esse movimento tende a ser neutro para a holding listada na B3 e positivo para a Cosan Limited, que é negociada com um desconto de 17% frente à soma das participações na Cosan S.A. e na Rumo.

A reorganização societária também ampliará a liquidez da companhia, segundo a chefe de relações com investidores da Cosan Limited, Paula Kovarsky. “Nossa governança tem melhorado nos últimos anos, mas sempre havia algum questionamento sobre a complexa estrutura societária. Chegou o momento de resolver isso”, disse. A estimativa atual é de concluir a operação em 250 dias. Os comitês independentes que serão constituídos para definir os termos de troca devem estar formados em 45 dias, com divulgação das recomendações em 180 dias contados a partir de sexta-feira. Condições de mercado também serão levadas em consideração.


Fonte: Valor Econômico