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Cosan vai olhar ativos da Petrobras, mas não há decisão

A Cosan, que reúne negócios em distribuição de combustíveis, lubrificantes, energia e infraestrutura, vai avaliar os ativos inseridos no programa de desinvestimentos da Petrobras, incluindo refinarias, mas ainda não há decisão tomada sobre sua participação no processo. "Como parte importante dessa cadeia de valor, temos a obrigação e o dever de ofício de olhar todas as oportunidades", afirmou o gerente-executivo de Relações com Investidores da companhia, Phillipe Casale, em teleconferência com analistas. "Mas não existe nada concreto neste momento, está tudo em andamento", acrescentou.

No ano passado, a Raízen, joint venture entre Shell e Cosan, acertou comprou uma refinaria e a rede de distribuição de combustíveis da Shell na Argentina, marcando sua entrada no refino. A melhora de desempenho da Cosan no primeiro trimestre reflete justamente, entre outras contribuições, a incorporação dos resultados da operação argentina. Em linhas gerais, o negócio de distribuição de combustíveis, a Moove (de lubrificantes) e a Comgás sustentaram o avanço dos números trimestrais da Cosan, enquanto o negócio de açúcar e etanol foi o destaque negativo.

"Olhando para a frente, acreditamos que a distribuição de combustíveis, a Comgás e a Moove continuarão contribuindo positivamente para os resultados consolidados da Cosan, ao mesmo tempo em que é preciso monitorar a evolução dos preços do açúcar na Raízen Energia ", escreveram os analistas Christian Audi, Gustavo Allevato e Rodrigo Almeida, do Santander.

De janeiro a março, a Cosan teve receita líquida de R$ 17,06 bilhões, com alta de 25,6% na comparação anual, e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de R$ 1,46 bilhão, 11,2% acima do registrado um ano antes. O lucro ficou em R$ 395,7 milhões, frente a R$ 345,7 milhões um ano antes. Nos diferenets negócios, disse Casale, o desempenho está em linha com as projeções fornecidas para 2019.

Na Raízen Combustíveis, o trimestre foi marcado pela recuperação mais lenta da economia doméstica, que afetou a demanda particularmente no ciclo Otto - houve retração nas vendas de gasolina, mas os volumes de etanol saltaram 30% na comparação anual. Diesel e querosene de aviação também mostraram bom desempenho. "Com o fim do programa de subsídio ao diesel, voltamos a ver volatilidade, o que trouxe desafios e oportunidades", comentou o executivo.

De janeiro a março, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado da Raízen Combustíveis totalizou R$ 714 milhões, com queda de 2,5% na comparação anual, refletindo o aumento de 3% nos volumes vendidos que foi "compensado pelo menor ganho com a estratégia de suprimento e comercialização". Na Argentina, o Ebitda de US$ 61 milhões se compara a US$ 22 milhões no quarto trimestre, e veio 15% acima do projetado pelo BTG Pactual.

Questionado sobre a variação no número de postos da Raízen no trimestre, o executivo explicou que houve um ajuste na base de dezembro, a fim de alinhar as informações da companhia às da Plural. Com esse ajuste, houve adição líquida de 144 postos nos últimos 12 meses. Para 2019, a previsão é adicionar entre 200 e 250 postos à rede, acrescentou.


Fonte: Valor Econômico