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Cosan vê 2020 “muito bom” para Raízen Combustíveis

Postado em 18 de Fevereiro de 2020

Embora analistas e investidores tenham avaliado como conservadora a estimativa de desempenho para a Raízen Combustíveis neste ano, a administração da Cosan reiterou que 2020 será “muito bom” para seu negócio de distribuição. Esse cenário estaria refletido no intervalo projetado pelo grupo para o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da operação, de R$ 2,8 bilhões a R$ 3 bilhões, que se compara a R$ 2,87 bilhões em 2019.

O intervalo já não incorpora o desempenho das lojas de conveniência, que passou a ser reconhecido via equivalência patrimonial a partir da formalização da joint venture com a Femsa Comércio para explorar essa atividade. Mas os analistas insistiram que, mesmo quando excluída essa contribuição do varejo, de R$ 70 milhões, os números frustraram expectativas - o balanço do quarto trimestre, por outro lado, foi bem recebido e classificado como “forte”.

Para os analistas Thiago Duarte e Pedro Soares, do BTG Pactual, a projeção parece conservadora. O ponto médio do intervalo, ou R$ 2,9 bilhões, implica expansão só de 1% e está 7% abaixo do projetado pelo banco se considerados os ajustes do negócio de conveniência. Para Regis Cardoso, do Credit Suisse, a previsão de resultado em 2020 foi “decepcionante”.

De acordo com o gerente-executivo de Relações com Investidores da Cosan, Phillipe Casale, a expectativa para a Raízen Combustíveis é a de cenário bastante parecido com o de 2019, “com desafios e oportunidades” relacionados à volatilidade dos preços. “A demanda [de combustíveis] deve andar com o PIB e crescer 3%”, afirmou, referindo-se à expectativa de expansão para os volumes da distribuidora. “Estamos prevendo um ano bastante bom para a Raízen Combustíveis”, afirmou.

Neste ano, o foco da Raízen Conveniências estará em acelerar a abertura de lojas em postos, usando o modelo tradicional de franquias com a marca Select, em paralelo ao desenvolvimento de lojas de proximidade com a bandeira Oxxo, da Femsa. Em três anos, a meta das sócias é abrir 500 lojas com as marcas Select e Oxxo.

Questionado sobre a participação de mercado da Raízen Combustíveis, o executivo afirmou que, nos últimos anos, a distribuidora tem registrado desempenho melhor que o restante da indústria, de forma que sua base de comparação é diferente. A melhora das condições de mercado e o crescimento do PIB em 2020, acrescentou, devem resultar em aumento dos volumes vendidos.

Em relação a estoques, comentou que “a volatilidade trará oportunidades”. “Somos capazes de navegar em qualquer cenário”, disse, sem entrar em detalhes da estratégia da distribuidora. “Ganhos com importação também fazem parte do jogo, então precisamos investir para ter capacidade nessa frente”, disse.

Conforme Casale, a expectativa de melhora da economia e o novo patamar do custo de capital no país devem contribuir para expansão em todas as linhas de negócio do grupo em 2020. Na Raízen Argentina, a instabilidade econômica deve continuar afetando as operações e a Moove, de lubrificantes, deve ter novo crescimento do Ebitda, impulsionado pelo melhor desempenho e aceleração das operações internacionais.

No ano passado, os resultados da Comgás e da Moove ficaram levemente acima do projetado, impulsionados principalmente pelo quarto trimestre. “Todos os negócios mostraram em 2019 a capacidade de navegar em diferentes cenários”, afirmou. Na Raízen Combustíveis, maior negócio do grupo, o segundo semestre foi marcado pela melhora gradual da demanda de combustíveis, com crescimento de 4% do mercado segundo dados da ANP no quarto trimestre, contra 5% de expansão da empresa, acima da média do mercado. “No ciclo Otto, a expansão foi de 6%, com destaque para as vendas de gasolina, que vem crescendo desde o último trimestre”, disse Casale, acrescentando que as vendas de etanol também seguem fortes.

No trimestre, a Cosan teve receita de R$ 19,4 bilhões, com expansão de 12,9% na comparação anual, e Ebitda ajustado de R$ 1,4 bilhão, baixa de 7,5%. O lucro líquido recuou 46%, a R$ 392 milhões.

 


Fonte: Valor Econômico