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COVID-19 aprofunda "queda energética" e arrasta outras matérias-primas

Postado em 10 de Junho de 2020

Os preços do ouro, do arroz, do trigo e do paládio estão em alta, mas os de outras trinta matérias-primas despencaram, como o petróleo, como resultado da pandemia de coronavírus, que causou um "colapso" de energia, segundo um relatório publicado na terça-feira.

No total, o indicador Cyclope Global, realizado pela sociedade de estudos Cyclope, que analisa os preços de matérias-primas como cacau, petróleo bruto, algodão, manteiga e cobre, caiu 42% desde o início do ano até o final de abril, um período que coincide com o confinamento imposto em várias partes do mundo pela pandemia da COVID-19. No entanto, se o petróleo for excluído, a queda é de 10%.

"A energia, no sentido mais amplo, foi a principal vítima" da crise, segundo o relatório. "A queda no preço do gás natural foi tão expressiva quanto a do petróleo e, depois disso, o carvão, apesar da resiliência das importações chinesas", aponta a 34ª edição do relatório.

Embora os preços negativos do petróleo tenham durado apenas "uma noite, no final de abril", muitos barris de petróleo bruto valem menos de US$ 10", aponta o relatório. Trata-se de um verdadeiro "colapso" da energia.

Segundo o documento, o petróleo arrastou biocombustíveis como etanol e, consequentemente, o milho e o açúcar (que servem para produzi-lo), o que pode ter um forte impacto no Brasil, maior produtor mundial de cana-de-açúcar.

No período analisado, apenas o preço de produtos alimentares, como arroz e trigo, subiu, pelos temores de escassez. Por outro lado, os preços da carne e laticínios diminuíram.

O economista Philippe Chalmin, professor da Universidade Paris-Dauphine e coordenador do estudo explicou em entrevista coletiva que "no início do confinamento, houve todo um discurso sobre o risco de uma crise mundial de alimentos, o que, francamente, não tivemos, apesar de algumas tensões no arroz ou no trigo".

"A crise não teve tanto impacto sobre as commodities (exceto matérias-primas), salvo por ter revelado algumas fraquezas no mundo dos negócios internacionais", acrescentou, embora tenha especificado que o mercado mundial de milho enfrenta "perspectivas particularmente negativas".

Isso se deve à queda nos preços do petróleo e à redução na produção de biocombustíveis: um terço do milho produzido nos Estados Unidos é usado para produzir etanol, e as áreas plantadas com milho aumentaram este ano, com uma colheita que se anuncia robusta, enfatizou o economista.

Em relação aos "elementos estruturais para os próximos meses", Yves Jegourel, professor de finanças internacionais da Universidade de Bordeaux e também coordenador do relatório, previu "uma guerra do alumínio com baixo teor de carbono", que pode se estender ao campos do aço ou de alguns tipos de fertilizantes.

Ele destacou ainda que entre 1º de janeiro e início de junho, foram o paládio e, sobretudo, o minério de ferro que mais subiram, superando até o desempenho do ouro.

O paládio foi reforçado pelo fechamento de minas na África do Sul devido ao confinamento, enquanto o minério de ferro se beneficiou da atividade siderúrgica "mais firme do que o esperado" na China.


Fonte: AFP - Texto extraído do Portal Istoé Dinheiro