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Covid-19 não deve impedir Minas Gerais de moer a maior safra de sua história

Postado em 5 de Maio de 2020

Segmento, porém, aguarda por mudanças tributárias e financiamento de estoques para não perder competividade

A crise instaurada pela pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) não deve impedir o Estado de Minas Gerais de moer a maior safra de cana-de-açúcar de sua história. É o que afirmou o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Ferreira Campos Filho, durante webinar realizado na última terça-feira (28) pela Agência Solis.

 Segundo ele, a expectativa é de uma moagem de 69,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, um crescimento de 2,1% em relação à safra anterior. Com a queda no consumo de etanol combustível em função do isolamento social da população, o ciclo 2020/21 deverá ser mais açucareiro do que em anos anteriores, com um mix que salta de 35% para 47%. Esse avanço fará com que Minas Gerais também registre recorde na produção da commodity: 4,3 milhões de toneladas de açúcar.

“Até o carnaval, a perspectiva era de um ano espetacular, tanto para as usinas quanto para os fornecedores. Víamos uma forte recuperação dos preços do açúcar devido à dificuldade de outros países produtores. A franca retomada da economia iria aumentar o consumo de etanol. E a energia elétrica vinha com bons preços. Além disso, estávamos comemorando a reativação de duas unidades. Os canaviais estavam mais jovens e houveram investimentos no campo para que a área de plantio e colheita fossem maiores. Ou seja, tínhamos a condição perfeita para tirar o nariz da água e respirar aliviados após anos em dificuldades.”

No entanto, duas variáveis chegaram para atrapalhar os planos mineiros. Além do choque na demanda do etanol, o segmento enfrenta também um choque de preços do petróleo. Anteriormente cotado em US$ 60 dólares, o barril de petróleo vem registrando valores inferiores a US$ 20 dólares. “Além de termos perdido parte do mercado em função do Covid-19, também fomos prejudicados pela perda de competitividade do etanol frente a gasolina. No início do ano, um litro de gasolina A saia da refinaria a R$ 2 reais. Na última semana, esse mesmo litro de gasolina A saiu da refinaria a R$ 0,99 centavos. Comercialmente falando, quem aguenta uma redução tão drástica?”

De acordo com o presidente da Siamig, o trabalho da associação no momento é mostrar para o governo federal que o setor sucroenergético precisa ser olhado com mais atenção, já que foi um dos segmentos mais prejudicado pela crise, juntamente com o comércio, aviação, automobilístico e energia. “Diretamente, empregamos mais de 750 mil pessoas. Fora os milhares de empregos que são gerados de forma indireta. Por conta disso, precisamos manter nossa competitividade. Uma das recomendações é a isenção de PIS e Cofins por um prazo de três meses, a fim de reduzir o valor do biocombustível na bomba. Após esse período, haveria um aumento na CIDE exclusivamente na gasolina.”

Além de mudanças tributárias, Campos recomenda que haja financiamento de estoque para as usinas, que estão com excedente de etanol nos tanques. O objetivo é conseguir achatar a curva de venda enquanto aguardamos o retorno à normalidade. “Não é viável para ninguém ter que vender abaixo do custo de produção. Na semana passada, o preço vendido nas usinas sem impostos foi de R$ 1,30 centavos. É um valor abaixo do custo de produção e que não remunera ninguém. Manter isso por um período longo é complicado para um segmento em franca operação.”


Fonte: CanaOnline