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Covid-19 tira China de missão ‘etanoleira’ que quer Índia fabricando mais anidro

Postado em 20 de Fevereiro de 2020

Uma missão ‘etanoleira’ da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) embarcou hoje (20) para Ásia tirando a China do roteiro. Mas se o ambicionado mercado para consumo de biocombustível vai ficar para outra vez, longe do coronavírus, ao menos está assegurada a Índia, o principal foco de curto prazo do Brasil, que quer fazer o país desviar a cana (subsidiada) do açúcar (subsidiado)

Em 9 de janeiro, Money Times antecipou essa viagem empresarial – de 24 a 5 de março – e que também vai passar por Tailândia e Paquistão, levando vários especialistas. No dia anterior, a China havia suspendido o programa de aumento do etanol na gasolina para 10%. Mesmo assim Eduardo Leão Souza, diretor-executivo, disse, na ocasião, esperar a retomada do programa a qualquer tempo e o déficit de 12 bilhões de litros do país, quando, então, voltasse a pairar nos planos de exportações do Brasil.

Além da venda direta de etanol para eles, a intenção maior da Unica, com apoio do Itamaraty e Apex, é o incentivo para que esses países produzam mais etanol eles mesmos. Aí que o foco na Índia é mais imediato, já que a quantidade de açúcar que eles jogam no mercado (exceção na safra atual, um pouco menos), tira preços da commodity.

A Tailândia a mesma coisa.

Produzir etanol não tem segredo. Inclusive também não é segredo para esses países que o etanol agregaria um mix importante para os setores locais, aumentando a produção em cadeia – do campo às indústrias.

Tecnologia automobilística
Menos segredo ainda é que com menos açúcar e mais etanol, os preços do primeiro sofreriam menor pressão de oferta e Nova York (bolsa ICE Futures) poderia voltar a subir de vento em popa.

O gap, mesmo, de entendimento, como lembrou Eduardo Leão, é lincado à experiência brasileira de aumento da mistura, que embarcou tecnologias para as usinas e para a indústria automobilística.

Na missão vai o ex-diretor-técnico da Mahle Metal Leve, Ricardo Abreu, que vai destacar justamente a evolução dos materiais e a robustez de funcionamento dos motores com mais etanol anidro misturado à gasolina.

Além dele, vão os professores Paulo Afonso de André, da Medicina da USP, para falar do efeito positivo para a saúde pública com menos combustível fóssil sendo queimado nos motores à combustão, sobretudo na poluída Índia (e China), o segundo maior consumidor de petróleo mundial.

E Gonçalo Pereira, da Unicamp, do Laboratório de Genética e Bioenergia, respeitado no setor privado pela sua contribuição ao desenvolvimento do etanol e hoje do etanol 2G (de segunda geração), além de ter participado da criação da GranBio, primeira empresa a fabricar esse biocombustível mais avançado. Pereira vai falar da transição energética para um mundo menos poluído.

Plínio Nastari, da Datagro, e Renato Godinho, do Ministério de Minas Energia, completam o time brasileiro.


Fonte: Money Times