Clipping

Crédito do BNDES a canaviais tem recuo

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o Prorenova - programa de financiamento de canaviais - devem fechar o ano abaixo do registrado em 2017, refletindo a crise do setor.

Um menor investimento nas plantações poderá impactar a produtividade da próxima safra, cujo início oficial é em abril, eventualmente colaborando para diminuir a disponibilidade de matéria-prima para fabricação de açúcar e etanol no Brasil, o maior produtor global de cana-de-açúcar.

À Reuters, o banco informou que os desembolsos no primeiro semestre somaram apenas R$ 25 milhões, queda de 82% na comparação anual. A primeira metade do ano geralmente concentra as operações, o que leva o BNDES a apostar em um resultado total para 2018 aquém dos R$ 234 milhões computados em 2017.

"O número deve crescer ainda, mas não deve superar o do ano passado", disse o gerente setorial do Departamento do Complexo Agroalimentar e Biocombustíveis do BNDES, Artur Yabe Milanez.

Apesar de o banco considerar os desembolsos por ano civil, o Prorenova segue o calendário de ano-safra (julho a junho), em linha com o Plano Safra montado anualmente pelo Ministério da Agricultura. Tanto no ciclo anterior quanto no atual, a disponibilidade de recursos é de R$ 1,5 bilhão.

O volume efetivamente repassado pelo BNDES vem caindo há alguns anos. Em 2015, somou R$ 554 milhões, enquanto em 2016, R$ 296 milhões. Desde que foi lançado, em 2012, o Prorenova já desembolsou quase R$ 5 bilhões e viabilizou o plantio de mais de 1,5 milhão de hectares de canaviais, segundo o banco.A retração nos desembolsos se segue a anos de dificuldades financeiras no setor sucroenergético brasileiro.

Recentemente atingida pela queda das cotações internacionais do açúcar, a indústria encarou controle de preços da gasolina em governos anteriores, com impacto negativo na produção de etanol, o que resultou em dezenas de usinas fechadas e no envelhecimento das plantações.


Fonte: DCI