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Cresce demanda de companhias por certificados de energia renovável

Postado em 15 de Janeiro de 2020

Um número cada vez maior de empresas tem buscado adquirir certificados de energia renovável, os chamados RECs, como forma de reforçar seu comprometimento com políticas sustentáveis. Em 2019, o Brasil emitiu pouco mais de 2 milhões desses certificados, quase seis vezes mais que o verificado em 2018. E, para 2020, a expectativa é de duplicar o volume recorde do ano passado, afirma Celina Almeida, diretora do Instituto Totum, que é o emissor local dos RECs.

A escalada recente da demanda, explica a executiva, está associada à aplicação dos RECs no cumprimento de metas de sustentabilidade, ou como relato de resultados socioambientais. Um exemplo é o Protocolo GHG, ferramenta de contabilização de emissões de gases do efeito estufa - empresas detentoras dos certificados podem reportar emissões zero na categoria “consumo de energia” nessa plataforma.

Os RECs são uma forma de “rastrear” a energia renovável do ponto de geração até o consumidor final. Cada certificado adquirido comprova que 1 megawatt-hora (MWh) foi injetado no sistema elétrico a partir de uma fonte de geração de energia renovável.

“Acredito que esse mercado está num período de transição no Brasil. Nossa expectativa é de pelo menos duplicar a alta das emissões que tivemos em 2019”, diz a diretora do Instituto Totum. Entre as razões para essa aposta, ela cita a adoção definitiva dos certificados em plataformas como o Protocolo GHG, além do crescente interesse “voluntário” pelas fontes renováveis, sinalizando uma mudança de comportamento energético por parte das empresas.

O Brasil integra a plataforma International REC Standard (I-REC), que possibilita o comércio dos certificados. Esse sistema é adotado em outros países da América Latina, como México, Colômbia, Chile e Costa Rica, e em grandes mercados de energia, entre eles o da China, Índia e Israel. Já a Europa e a América do Norte possuem sistemas próprios para os certificados, que dão suporte às políticas públicas locais de energia renovável.

Entre os 23 países do International REC Standard, o Brasil registra o segundo maior volume de certificados emitidos. Em primeiro lugar está a China, que negociou mais de 8 milhões desses documentos no ano passado. Lá, o mercado de energia limpa é impulsionado pela necessidade de redução das emissões de gases estufa, já que o gigante asiático é um dos principais poluidores do mundo.

Já na comparação das quantidades de usinas certificadas, o Brasil lidera o ranking do International REC Standard. Até setembro de 2019, a plataforma registrava 106 empreendimentos rastreados no país, mais do que dobrando em relação a 2018. No total, esses projetos somam uma potência de cerca de 7.000 MW, equivalente a meia Usina Hidrelétrica de Itaipu. China e Índia, segundo e terceiro colocados no ranking, têm, respectivamente, 80 e 37 usinas que atendem os requisitos do padrão global de compra de energia renovável.

 


Fonte: Valor Econômico