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Crise com coronavírus pode adiar abertura de novas usinas de etanol de milho

Postado em 27 de Abril de 2020

Os produtores de etanol de milho sofrem com a queda na demanda do biocombustível devido às medidas de restrições de circulação por causa do coronavírus. O baixo preço do barril de petróleo também afeta a competitividade do combustível de milho e pode adiar a inauguração de usinas previstas para esse ano, de acordo com representantes do setor.

Em março, foi inaugurada uma usina em Mato Grosso, com a capacidade para produzir 530 milhões de litros. Outras três unidades tinham previsão para começar a operar até o fim de 2020, também no Estado, o que adicionaria uma capacidade anual de 800 milhões de litros. A situação agora, porém, é de incerteza.

“A iniciativa de iniciar uma operação pode ser retardada mediante o cenário. A hora que estiver pronto, vamos analisar: dar início em 2020 ou esperar o restabelecimento da demanda? Será uma avaliação individual de cada empresário”, afirmou o presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco.

Na quinta-feira (24), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou o crescimento de 850 milhões de litros (107,4%) na produção com o cereal, totalizando 1,64 bilhão de litros do biocombustível na safra 2019/20, maior volume da história. No relatório, a Conab entende que houve um avanço “considerável” na construção de novos empreendimentos, bem como no estudo para implantação de suas capacidades atuais.

“O menor custo de produção do etanol à base de milho, a crescente produção do milho segunda safra e a forte demanda dos segmentos produtores de proteína animal [...] foram alguns dos motivos pelos quais as indústrias aderiram ao novo modelo de negócio”, apontou a Conab, em seu relatório.

Com as três usinas no Mato Grosso para o etanol do cereal previstas até dezembro, além de uma usina flex, que adicionaria outros 200 milhões de litros, a capacidade de produção brasileira estaria próxima dos 3 bilhões de litros anuais. No entanto, segundo o presidente da Unem, há uma imprevisibilidade sobre a volta da demanda.

“Vai retornar. Serão necessários 6, 9 ou 12 meses, não sabemos. Nós temos uma energia renovável, limpa e nacional, o que é um trunfo, pois gera renda ao país, valoriza a produção do milho e traz estímulo ao campo”, diz Nolasco.

A indústria de etanol reivindica um pacote de ajuda ao governo federal. As medidas tratadas com o Ministério da Agricultura e Minas e Energia incluem linhas de financiamento para armazenagem de etanol, a isenção de tributos como PIS/Cofins e a elevação da Cide sobre a gasolina.


Fonte: Globo Rural