Clipping

Cuidados com a colheita e realizar o corte no ponto certo da maturação da cana contribuem para aumento da ATR

Postado em 13 de Junho de 2019

Variedades adequadas, sistematização da colheita, colhedoras equilibradas, canas maduras, tudo isso influencia para a obtenção de mais açúcar na cana

Relatório de acompanhamento da safra 2019/20, divulgado nesta terça-feira (11) pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), apontou que qualidade da matéria-prima processada na segunda quinzena de maio, mensurada a partir da concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), indica queda de 5,92%, atingindo 125,49 kg por tonelada em 2019 contra 133,39 kg verificados na mesma quinzena do último ano. No acumulado até 1 de junho deste ano, o indicador de qualidade atingiu 118,52 kg de ATR por tonelada de cana-de-açúcar – 4,14% abaixo do valor apurado na safra 2018/2019.

Condições climáticas pesam muito para o aumento ou redução da ATR, mas outros fatores também influenciam, um deles é a colheita mecanizada, que já se apresenta em quase 100% dos canaviais da região Centro-Sul do Brasil. Para que a ATR tenha menor perda com o corte com máquinas, é preciso tomar alguns cuidados, começando com a escolha das variedades de cana, que devem ser eretas, pois canaviais deitados e entrelaçados dificultam o corte, afetam a eficiência do mecanismo de limpeza da colhedora, gerando mais impurezas minerais (terra e pedras). As variedades também precisam apresentar facilidade de despalhe, reduzindo as impurezas vegetais na hora do corte.

O bom planejamento da sistematização da colheita também é fundamental, é preciso dar preferências por áreas que permitam o desenho de tiros mais longos, com menos obstáculos e manobras e entrelinhamento correto.

Já as colhedoras precisam estar bem equilibradas, e seus componentes, como as pás da hélice, o eixo do ventilador e as faquinhas, devem estar em perfeitas condições de uso. É necessário manter a rotina de limpeza em dia, especialmente dos pontos de graxeira. E no momento da colheita é fundamental atentar para velocidade da colhedora, lembrando que não se trata de uma corrida de máquinas, e que o foco é a qualidade da operação. Outros pontos de atenção são: a altura do corte (principalmente se o despontador estiver ligado) e a rotação do extrator primário.

Além de realizar um corte mecanizado de forma correta, também é primordial colher na época certa, em que a cana está madura. A chamada maturação é o processo fisiológico que envolve a formação de açúcares nas folhas e seu deslocamento e armazenamento nos colmos. 

A maturação da cana se dá quando os colmos completam seu estágio de desenvolvimento e passam a acumular sacarose. A cana no ponto certo de maturação apresenta menor impureza, pois suas folhas estarão secas e sairão com maior facilidade, além do colmo ser menos fibroso por ter porcentagem maior de sacarose.

Para colher a cana na época mais certa de sua maturação, é necessário elaborar uma estratégia de colheita tendo como base o período de maturação. Mas como nem sempre isso é possível, é preciso colocar em prática outras possibilidades, como: adotar variedade de cana que apresentam Período de Utilização  Industrial (PUI) mais longo; utilizar alguns métodos como a fertilização foliar, prática que pesquisadores defendem como forma de manter a fotossíntese da planta, evitando que gaste sacarose no estágio de pré-maturação; ou aplicar maturadores químicos.

 


Fonte: CanaOnline