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Custo do crédito agrícola supera juros básicos, mas oferta pode subir

O crédito será o nó da questão do agronegócio neste ano. O período será de queda de receitas, de elevação de custos e de crédito caro.

"O custo de oportunidade de plantar será alto, com juros básicos menores do que os do crédito agrícola", diz Fábio Silveira, sócio-diretor da MacroSector.

Carlos Aguiar Neto, superintendente-executivo de agronegócios do Santander, diz que a taxa Selic, um pouco abaixo da taxa de crédito rural, não é tão ruim.

"Abre espaço para outros bancos participantes desse setor." Atualmente, 75% do volume de crédito sai de apenas dois bancos, acrescenta.

Na avaliação do executivo do Santander, esse novo cenário permite maior concorrência e sobra mais dinheiro para ser alocado.

"O subsídio é perverso e precifica todos de maneira igual." O mercado dá a linha de crédito para o melhor, acrescenta.

Aguiar Neto destaca ainda que é saudável uma taxa de juros de um dígito e a Selic próxima ou a um pouco abaixo do custo do crédito rural porque sobra mais dinheiro para ser distribuído.

"O cenário é de muita cautela, e o produtor precisará fazer muitas contas", diz Wellington Andrade, diretor-executivo da Aprosoja MT (Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso).

O produtor vai ter à disposição um volume maior de crédito, mas nem todos terão acesso a esse dinheiro.

Os bancos estão mais exigentes, e o produtor já não tem o perfil ideal para se candidatar ao crédito, segundo Andrade.

O acesso ao crédito pelo produtor já vem tendo limitações. Na safra 2016/17, pelo menos 33% do dinheiro exigido para plantio e custeio das lavouras veio do próprio produtor. Nesta safra, o percentual caiu para 19%, segundo o executivo da Aprosoja.

Esse cenário ocorre em um momento complicado. O governo está com dificuldades para acertar suas contas, os custos de produção agrícola se elevaram e a relação entre câmbio e preços dos grãos em Chicago não é das mais favoráveis.

Andrade diz que o pré-custeio de R$ 12,5 bilhões, anunciado pelo governo nesta terça-feira (30), veio em boa hora. Permite uma antecipação das compras dos insumos, mas parte dos produtores poderá não ter perfil bancário para acessar o crédito.

Aguiar Neto continua acreditando no mercado neste ano. Em 2017, o Santander repassou R$ 13 bilhões para o setor, 44% acima do volume de 2016.

O crescimento foi acentuado em 2017 e não deverá se repetir neste ano. "A evolução de 2018, no entanto, será de dois dígitos em relação a 2017", diz ele.

Embrapa – A empresa reduz, nesta quinta-feira (1º), de 15 para 6 as áreas administrativas da sede, em Brasília. No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido o número de unidades de pesquisa de 46 para 42.

Ajuste – As mudanças ocorrem devido à "necessidade de ajustar a empresa às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar a eficiência", diz Maurício Antônio Lopes, presidente da Embrapa.

Celulose – A produção brasileira subiu para 19,5 milhões de toneladas em 2017, com aumento de 4% sobre 2016. As exportações somaram 13,2 milhões.

Exportações – As receitas com as vendas externas de celulose cresceram 14% no ano passado, atingindo US$ 6,4 bilhões. Os dados são da Secex e da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores).

Mauro Zafalon


Fonte: Folha de S. Paulo