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Custos de produção versus valor de ATR, por Agroanalysis/FGV

Segundo um estudo realizado pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), o resultado do produtor do município de Guariba-SP, na safra 2017/18, foi um prejuízo de R$ 9,51 por tonelada de cana, ou R$ 817,86 por hectare. O estudo considerou uma área de 70 hectares, com produtividade média de 86 toneladas por hectare e 136 quilos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada (cana de seis cortes). Em uma análise mais ampla, de 42 localidades produtoras de cana-de-açúcar avaliadas, somente quatro apresentaram lucro com a atividade (Iturama-MG, Campo Florido-MG, Frutal-MG e Ourinhos-SP). Todas as demais apresentaram prejuízos.

CUSTOS DE PRODUÇÃO

Segundo o Informativo Produtor da Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba (Socicana) e da Coplana – Cooperativa Agroindustrial, entre as safras 2013/14 e 2017/18, os custos de produção da cana-de-açúcar subiram 39% na região de Guariba, no interior do estado de São Paulo, enquanto os custos com corte, carregamento e transporte (CCT), cobrados por alguns grupos, aumentaram 32%. Essa alta explica os problemas de rentabilidade que os produtores de cana estão sofrendo. Estudos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estimam em 34% a alta dos custos de produção em outras regiões canavieiras.

A baixa remuneração da cana é explicada por vários motivos, como a queda do preço do açúcar no mercado internacional e do preço do petróleo, que possui influência direta sobre os preços da gasolina e do etanol. Condições do clima e aumento de pragas com necessidade de maiores gastos em manejo também contribuem.

Diante desse cenário, estudos realizados mensalmente pela Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA) comprovam que há uma defasagem percentual de participação da matéria-prima no custo de produção do açúcar e do etanol. Em janeiro deste ano, por exemplo, o preço adotado pelo Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (CONSECANA-SP) ficou defasado em 14,16%, ou seja, o valor de R$ 0,5748 por quilo de ATR deveria ser de R$ 0,6562. Isso sem contar a participação de novos produtos, como a energia elétrica, que não estão inclusos nesses valores. 

 

 

 


Fonte: Agroanalysis/FGV