Clipping

Datagro projeta moagem menor de cana e mais etanol em 2018/19

Estimativas divulgadas ontem pela Datagro para a próxima temporada sucroalcooleira (2018/19) sinalizaram queda na moagem de cana e uma safra mais alcooleira que em 2017/18. As projeções apontaram processamento de 580 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul do país, 3,5% menos que no ciclo que está em fase final de uma colheita estimada pela consultoria em 601 milhões de toneladas.
 
Para a produção de etanol, a Datagro prevê 25,3 bilhões de litros no Centro-Sul no ciclo que vai começar em abril, alta de 1,2% ante 2017/18, quando o volume deverá atingir 25 bilhões de litros – 7,3% menos que os 27,5 bilhões de litros estimados pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) para 2016/17.
 
Para o açúcar, a consultoria prevê produção de 32,6 milhões de toneladas em 2018/19, redução de 10,4% ante a estimativa de 36,4 milhões de toneladas para 2017/18.
 
A revisão da Datagro reflete a alta nos preços do petróleo e, consequentemente, dos combustíveis no mercado brasileiro, além da taxa de 20% que passou a incidir sobre as importações de etanol que excederem 600 milhões de litros ao ano, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) em agosto.
 
Na segunda-feira, Plínio Nastari, presidente da Datagro, afirmou que a taxa já provocou uma redução do ritmo de importações. Apenas um navio deverá chegar ao país em novembro, com 25 mil metros cúbicos de etanol. Em outubro, foram 180 mil metros cúbicos.
 
O número calculado pela Datagro para o superávit global de açúcar na safra 2017/18 foi revisto. A consultoria passou a estimar 430 mil toneladas, bem menos que as 2,9 milhões de toneladas previstas anteriormente.
 
O cenário traçado pela Datagro difere do de outras consultorias. A Platts Kingsman divulgou em setembro que haverá superávit de mais de 3,8 milhões de toneladas em 2017/18. E, segundo dados da semana passada da consultoria australiana Green Pool, a oferta de açúcar deverá ficar 9,8 milhões de toneladas acima da demanda no ciclo.
 
O número é 37% superior à previsão divulgada anteriormente pela empresa e, se confirmado, representará o maior superávit registrado em mais de um década, com produção mundial avaliada em 193,1 milhões de toneladas.
 
Por Kauannna Navarro e Cleyton Vilarino


Fonte: Valor Econômico