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Defensivos biológicos impulsionam receita da Arysta

Com foco crescente no segmento dos defensivos biológicos, a japonesa Arysta LifeSciense registrou aumento de 5% em sua receita no Brasil em 2017, enquanto o mercado geral de defensivos no país – que inclui os agroquímicos e as soluções biológicas – caiu 8,1%, para pouco menos de US$ 9 bilhões.

De acordo com Fábio Torreta, presidente da Arysta para a América Latina, no ano passado as vendas da empresa no Brasil somaram US$ 415 milhões, cerca de 61,5% da receita total na América Latina – de US$ 675 milhões. Em 2018, a expectativa da companhia é que vendas no mercado brasileiro avancem cerca de 10%.

O crescimento das vendas da Arysta foi influenciado pelo desempenho dos defensivos biológicos. "Vemos crescimento ano a ano de dois dígitos nessa linha", disse. Segundo ele, cerca de 20% do faturamento da empresa vêm de defensivos biológicos e 80% de químicos – entre marca própria e genéricos.

O executivo disse que a meta é que os biológicos respondam por 30% das vendas na América Latina. Atualmente, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABC Bio), o mercado de biodefensivos agrícolas cresce entre 10% e 12% ao ano no mundo. No Brasil, o avanço está na casa dos 15%.

A participação de biodefensivos no resultado da Arysta é bastante relevante, considerando a situação desse segmento no Brasil. Apenas 2% de tudo que a indústria de defensivos em geral vende é de produtos biológicos legalizados.

As perspectivas para o setor este ano são animadoras, segundo Torreta. As vendas da empresa no primeiro quadrimestre cresceram cerca de 24% sobre igual período de 2017, enquanto o mercado geral avançou cerca de 16%, afirmou ele, citando dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

Mas o ritmo de vendas visto nesses primeiros meses do ano não deve se manter ao longo de 2018. O agricultor capitalizado antecipou as compras dos insumos para a safra 2018/19 de olho no aumento de custos, reflexo da alta dos preços de químicos na China e da desvalorização do real.

"Eu acho que o mercado como um todo vai crescer ao redor de 8% e as nossas vendas vão ficar 10% maiores que 2017", projetou Torreta. Caso a estimativa seja confirmada, o faturamento no Brasil ficará perto dos US$ 460 milhões.

Segundo o executivo, o lançamento de sete produtos de marca da Arysta neste ano também deve contribuir para o aumento das vendas. Entre eles, há dois herbicidas para ervas daninhas resistentes ao glifosato para a soja. "Temos mais três no pipeline, nos quais vamos investir US$ 30 milhões neste ano", disse, acrescentando que não há data para lançamento desses produtos no país. "Pode levar até 10 anos para o registro deles saírem. Poderíamos lançar um produto novo para ferrugem na soja ano que vem, mas o registro levará anos", comentou.


Fonte: Valor Econômico