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Depreciação do Real favorece fixações do preço do açúcar para exportação na atual safra e nas duas safras seguintes

Postado em 18 de Maio de 2020

Estimativa da Archer Consulting é que essas usinas devem ter um custo médio de produção de açúcar equivalente a R$ 1,100 por tonelada FOB Santos, já as fixações do açúcar possuem hoje média de R$ 1,450 por tonelada para a safra

Arnaldo Corrêa, direto da Archer Consulting, salienta que, na semana passada o dólar bem que tentou dar uma beliscada nos R$ 6,0000, um nível que há um par de meses seria inimaginável na cabeça de 10 entre 10 economistas conceituados do País. “De qualquer forma, a trajetória sofrível da moeda brasileira tem favorecido às usinas nas fixações do preço do açúcar para exportação, não apenas para a safra corrente, mas também para as duas safras seguintes. Na sexta-feira, a moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 5.8540.”

O Consultor comenta que a bolsa de Nova Iorque fechou com o vencimento julho/2020 a 10.38 centavos de dólar por libra-peso praticamente inalterado em relação ao fechamento da semana passada. No entanto, observa Corrêa, quanto mais extenso o vencimento maior foi a queda, indicando que houve efetivamente uma pressão dos contratos com vencimento mais longo refletindo uma provável busca por hedge de venda por parte do Centro-Sul devido ao câmbio.

“Algumas usinas, que já aumentaram o volume de açúcar fixado para a próxima safra 2021/22, estão começando a fixar também o açúcar para exportação da safra 2022/2023, aproveitando a rentabilidade favorável proporcionada pela volatilidade do câmbio. E tudo isso apesar da dificuldade imposta por muitos dos bancos que atendem ao setor que, de maneira compreensível, estão diminuindo suas exposições ao risco da moeda”, diz Corrêa.

“As usinas reclamam da dificuldade de se fechar operações de NDF (Non-Deliverable Forward), um contrato a termo de moeda com liquidação financeira, com prazos muito extensos. Diferentemente do que ocorria no passado recente, a curva do dólar oferecida hoje pelos bancos praticamente anula ou abocanha qualquer ganho de spread entre as taxas de juros interna e externa, sob o argumento do risco cambial que eles [bancos] estão correndo”, ressalta o Diretor da Archer Consulting.

Para Corrêa, os valores que as usinas estão obtendo nas fixações dos açúcares de exportação para as próximas duas safras, vendendo contratos futuros em NY e fazendo operações de NDF para travar o câmbio, produzem um bom retorno se compararmos com o custo de produção das empresas mais eficientes do setor.

“Nossa estimativa é que essas usinas devem ter um custo médio de produção de açúcar equivalente a R$ 1,100 por tonelada FOB Santos. As fixações das quais estamos falando possuem hoje média de R$ 1,450 por tonelada para a safra 2021/22 e R$ 1,452 para a safra 2022/23, ambos trazidos para valor presente, descontada a SELIC”, informa Corrêa.

Segundo ele, um forte argumento é que de 2011 para cá, portanto com mais de nove anos de dados (excluindo a safra 2016/17) as cotações de NY convertidas em reais por tonelada pelo dólar do dia informado pelo Banco Central e corrigidas pelo IGPM, ficaram abaixo de R$ 1,450 por tonelada em 63% das vezes. “Se não corrigirmos os valores pelo IGPM, esse percentual sobe para 99%.”

Outro fundamento precioso, destaca o Consultor, “é que os valores na execução dos contratos físicos a que essas fixações se referem, frete e elevação, por exemplo, podem ser menores do que os de hoje, em reais por tonelada, no momento da entrega física, já que estamos considerando uma taxa de câmbio inflada. Com isso, a rentabilidade ainda pode ser maior. O Boletim Focus, por exemplo, estima a taxa de câmbio em R$ 5,0000 para o final de 2020, R$ 4,8300 para o final de 2021 e R$ 4,5400 para o final de 2022.”

Do final de fevereiro para cá, relata Corrêa, quando se intensificou a depreciação do real, a posição em aberto dos contratos futuros correspondentes à safra 2021/22 cresceu 56%. No mesmo período, a posição para a safra 2022/23 subiu mais de 200%. É claro que em números absolutos a primeira cresceu em quase 3 milhões de toneladas de açúcar equivalente e a segunda perto de 750 mil toneladas. Não necessariamente esses volumes significam fixação, mas pelo menos mostram a magnitude da movimentação que tem havido desde então.


Fonte: CanaOnline com informações da Archer Consulting