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Deputados de Goiás rejeitam projeto que proibia a pulverização aérea em propriedades rurais

O plenário da Assembleia Legislativa de Goiás arquivou ontem um projeto que buscava proibir a pulverização aérea em propriedades rurais do estado.

O debate foi lançado pela deputada Adriana Accorsi (PT) com base em decisão da União Europeia, que baniu o sistema com utilização de aviões para combater pragas. Ela também trouxe o caso ocorrido há seis anos em Rio Verde, quando um incidente com sistema irregular causou despejo de defensivos sobre uma escola, deixando dois professores e 45 crianças com graves sequelas.

A matéria, no entanto, foi barrada com forte pressão de representantes do setor ruralista, que comemoraram e aplaudiram a rejeição do projeto. Adriana Accorsi analisou a votação em entrevista exclusiva à Sagres Online.

“Em primeiro lugar, eu queria chamar atenção para essa questão da pulverização aérea de agrotóxicos no nosso estado”, afirma e detalha: “Nós já tivemos um acidente trágico em 2013, na região de Rio Verde, e existe uma pesquisa da Embrapa dizendo que, em toda pulverização aérea de agrotóxicos, por mais que as condições de tempo e toda a organização esteja ideal, pelo menos cerca de 20% desse agrotóxico vai ser desviado do seu objetivo”.

De acordo com ela, já era previsto que o projeto não seguiria em frente. “Eu entendi que isso poderia acontecer devido ao poder que o agronegócio tem no nosso estado, mas eu não poderia deixar de colocar essa questão, de trazer essa pauta, não poderia me omitir nesse momento”, disse.

Representantes dos ruralistas presentes na Assembleia afirmam que a pulverização aérea é fundamental para as culturas de porte maior, como cana-de-açúcar e milho. É o que explica o representante do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Tiago Textor.

“As principais culturas são aquelas que tem porte maior, em que o [maquinário] terrestre não consegue entrar”, afirma e complementa: “Goiás é o segundo maior produtor de cana do Brasil, só atrás de São Paulo. São mais de um milhão de hectares de cana-de-açúcar e, sem avião, a cana não sobrevive”.

Segundo ele, o avião agrícola é uma ferramenta importante e, com conhecimento sobre a questão agrícola, fica claro que a aplicação é “extremamente criteriosa e oferece segurança para operação”.

Texto ainda aponta que o Brasil precisa manter sua participação de mercado no setor agrícola. Segundo ele, a referência deve ser os Estados Unidos, que é um concorrente direto, e não a União Europeia.

“Os Estados Unidos são os maiores produtores de grãos, com uma produção pujante. Eles são os nossos concorrentes, não a União Europeia que não produz ou produz pouco”, analisou. “Temos que olhar para quem produz bem e que faz isso de forma segura. A aviação agrícola brasileira está seguindo esse mesmo caminho. Hoje nós temos o congresso de aviação agrícola, que já é maior que a do próprio Estados Unidos, para se ter uma ideia do tamanho e da relevância que o setor tem hoje”, concluiu.


Fonte: Sagres Online (GO)