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Desembolsos do crédito rural avançam quase 50% no Estado no 1º mês de safra

Postado em 19 de Agosto de 2020

A demanda crescente por alimentos e as estimativas positivas em relação ao mercado estão estimulando a busca pelo crédito rural. Com os juros mais baixos em praticamente todas as linhas do Plano Agrícola e Pecuário (PAP), o que facilita o acesso aos recursos, a procura no primeiro mês da safra 2020/21, em Minas Gerais, cresceu 48%, com a liberação de R$ 2,66 bilhões em crédito, ante os R$ 1,79 bilhão desembolsado em julho de 2019.

Do montante, a agricultura demandou a maior parte, R$ 1,84 bilhão, e o restante foi para a pecuária, com desembolsos estimados em R$ 810 milhões.

De acordo com o levantamento divulgado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), no primeiro mês da safra 2020/21 (julho), foram aprovados 18.461 contratos do crédito agrícola em Minas Gerais, elevação de 29% frente aos 14.363 pedidos aprovados em igual mês da safra passada. O Estado respondeu por 11% do volume desembolsado para o País em julho, que somou R$ 23,92 bilhões.

Segundo o coordenador-técnico estadual de crédito rural da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), José Henrique Chiarini Pena Barbosa, vários fatores têm contribuído para a maior demanda por crédito.

“As estimativas, até o momento, são positivas em relação à safra 2020/21. Mesmo com a pandemia, a demanda pelos produtos do setor agropecuário continuou em alta e os produtores estão investindo apostando em bons resultados. Além disso, houve redução das taxas de juros, o que tornou o crédito mais barato para o produtor”, explicou Barbosa.

Dentre as linhas, em julho, o maior volume de recurso liberado foi em custeio. Ao todo, foram emprestados R$ 1,45 bilhão para Minas Gerais, aumento de 28% quando comparado com os R$ 1,13 bilhão desembolsado em julho de 2019. A aprovação de contratos cresceu 37% e encerrou o mês em 6.597.

Na linha de custeio, a agricultura demandou R$ 980 milhões, valor que ficou 18% maior que o liberado anteriormente. Foram aprovados 3.304 contratos, 32% a mais. No mês, a maior parte dos recursos da linha de custeio foi aplicada na cultura do café, que somou R$ 378,21 milhões. Para a soja, os desembolsos foram de R$ 342,24 milhões, milho, R$ 78,92 milhões, e cana-de- açúcar, com R$ 42,33 milhões.

Para a pecuária foram destinados R$ 470 milhões da linha de custeio, aumento de 56% frente aos R$ 300 milhões desembolsados em julho de 2019. Foram aprovados 3.293 contratos, volume 42% superior. Para bovinos, foram liberados R$ 408,43 milhões, para suínos, R$ 39,45 milhões, e avicultura, R$ 12,26 milhões.

Investimentos em alta – Outro destaque nos desembolsos do crédito rural foi a linha de investimentos, cuja demanda cresceu 96% no Estado e somou R$ 610 milhões liberados somente em julho. Ao todo, foram aprovados 11.686 contratos, alta de 26% quando comparado com os 9.288 liberados em julho de 2019.

A demanda pela linha avançou 112% na agricultura, com a liberação de R$ 350 milhões para aplicação na atividade. Ao todo, foram aprovados 3.296 contratos, crescimento de 33%. Na pecuária, foi verificada elevação de 77% na demanda pelo crédito para aportes, que somou R$ 260 milhões liberados no último mês. A aprovação de contratos cresceu 23% e encerrou em 8.390 liberações.

“Existe uma demanda reprimida pelos recursos da linha de investimento, uma vez que os recursos disponibilizados na safra anterior foram insuficientes para atender à demanda dos produtores rurais. Além disso, as estimativas positivas em relação à safra estimulam novos investimentos”, destacou Barbosa.

Os desembolsos da linha de comercialização também ficaram maiores. O valor liberado para a linha em Minas Gerais somou R$ 540 milhões em julho, alta de 86% frente aos R$ 290 milhões do mesmo período da safra anterior. Ao todo, foram aprovados 165 contratos, queda de 35%.

Para a agricultura, o crédito da linha de comercialização alcançou R$ 480 milhões, variação positiva de 309%. Já para a pecuária, o montante liberado, R$ 50 milhões, ficou 69% inferior.

 


Fonte: Diário do Comércio