Clipping

Digitalizar agro é chave para progresso e segurança, diz Nobel

Postado em 12 de Junho de 2020

Agricultores da América Latina poderiam manejar com mais precisão assuntos como novas pragas ou os desafios das mudanças climáticas se tivessem acesso maior a tecnologia e informações atualizadas, que serão peças-chave no mundo pós-pandemia, disse hoje (10) o economista norte-americano Michael Kremer.

O acadêmico, um dos ganhadores do prêmio Nobel de Economia em 2019 por seus estudos sobre a pobreza, afirmou que a epidemia de coronavírus desencadeará uma crise econômica que significará, para muitas pessoas, um problema de segurança alimentar.

“Em muitos casos, os agricultores não têm acesso à informação científica mais recente”, disse o economista em conversa com Manuel Otero, diretor-geral do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), sediado na Costa Rica, transmitida online.

“Eles podem ter conhecimentos tradicionais, mas isso não necessariamente os ajudarão a se adaptar a novas pragas ou novas variedades de sementes, ou abordar a mudança climática”, acrescentou Kremer, que ajudou a fundar a ONG Precision Agriculture for Development, que trabalha com agricultores, ONGs, cientistas, empresas e governos na Ásia e na África.

Recorrendo a exemplos de programas com agricultores africanos, nos quais o uso do celular permitiu que eles obtivessem mais informações meteorológicas ou de rendimento de cultivos, Kremer disse que agora é o momento para investimentos na digitalização dos serviços de extensão agrícola, que ajudam produtores com investigação científica aplicada e educação.

“A agricultura móvel é algo que pode ser útil não apenas para os agricultores, governos e serviços de extensão, mas também para as empresas privadas”, disse ele no webinar “Oportunidades para a agricultura digital na América Latina e no Caribe: resposta rápida à Covid-19”.

“Devido à Covid-19 talvez não seja possível visitar os agricultores, mas isso dá a oportunidade para que eles coletem dados para compreender como são afetados, as interrupções no mercado e na cadeia de ofertas, o acesso a crédito, entre outros fatores, o que pode ajudar na formulação de políticas públicas”


Fonte: Forbes com Reuters (10/06) - retirado do Portal BrasilAgro